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JIM MORRISON E O CINEMA
“1
Não mexer nesses fantasmas
2
Na matriz somos peixes cegos em locas
3
Os espectadores são vampiros mansos.
4
Fantasmagorias, lanternas mágicas, espetáculos sem substância. Onde ensaiavam experiências sensoriais completas mediante ruídos, incenso, luzes, água. Virá o tempo em que só com Teatros Metereológicos reviveremos a sensação de chuva.
5
O cinema não é instância da pintura, nem da literatura, nem da escultura ou do teatro, mas da antiga tradição popular dos feiticeiros. Trata-se da manifestação contemporânea de uma envolvente história de sombras, fascínio por figuras que mexem, crença mágica. A sua linhagem remonta às origens, ao tempo dos Sacerdotes e da feitiçaria, chamamento de espectros. Quando os homens, apenas com o auxílio precário de um espelho e do fogo, conjuravam trevas e secretas visitas vindas de regiões ignotas da mente. Nessas sessões, as sombras são espíritos capazes de afastar o mal.
6
Como quando ainda não havia objetos.
7
O cinema devolve-nos à anima, religião da matéria, que atribui a cada coisa sua divindade específica e vê deuses em tudo e nos seres.
Cinema, herdeiro da alquimia, ciência última do erotismo."
Do livro "Dos Mestres e as Criaturas Novas", de Jim Morrison, trad. Paulo da Costa Domingos. Repassado por Antonio A. de Medeiros à Lista Encontros de Escritas e enviado a Blocos por Rosy Feros.
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