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ALCEU BRITO CORREA
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Página no site de Blocos: www.blocosonline/literatura/poesia/pn/pn000260.htm

© foto de Jarbas Mamede, 2003.
Fonte: Jornal da Comunidade, 09/03/2003, Brasília/DF
O ótimo vício de escrever
Alceu Brito Corrêa é fascinado pela literatura desde
a infância, mas só agora lança seu primeiro
livro.
Rodrigo Dalcin
A paixão é um dos principais aditivos
da literatura. Em certos casos, tal sentimento adquire proporções
compulsivas e ares de vício. Para Alceu Brito Corrêa,
o ato de escrever é considerado “uma doença
que não tem cura”.
Mineiro, engenheiro eletricista aposentado, residindo já
há 20 anos em Brasília, Alceu tem na literatura não
só um vício, mas também uma espécie
de elixir. A satisfação em escrever principalmente
poesias transparece quando o mesmo fala sobre seu interesse e envolvimento
com o universo das letras. Já na infância, admirava
a distância os grandes escritores e os via como seres inatingíveis.
Agora, aos 57 anos de idade, acaba de lançar Epiciclo, seu
primeiro livro.
A obra reúne todo o seu trabalho como poeta que, até
então, apresentava-se publicado de forma dispersa em antologias
nacionais e estrangeiras. Durante muito tempo, Alceu escreveu para
jornais como o Estado de Roraima. Além dos trabalhos como
colunista, também possui contos em seu repertório.
Mesmo tendo começado a escrever cedo, seu trabalho demorou
para ser exposto ao público. Além da formação
em engenharia, o escritor se refere a Carlos Drummond de Andrade
para explicar sua hesitação inicial. “Em uma
cidade de grandes nomes como o dele, é muito difícil
ser considerado poeta”.
Além do próprio Drummond, Alceu cita outras fontes
de influência em sua obra como Augusto dos Anjos, Vinícius
de Moraes, Hermann Hesse e Fernando Pessoa. Já a inspiração
para seus escritos, ele extrai de memórias e angústias
particulares do ser humano, resultantes das desigualdades observadas
mundo afora. O teor social em sua obra é, aliás, algo
fortemente presente. “Cabe ao escritor ser mais um elemento
de denúncia dessas disparidades, sejam elas intelectuais,
políticas ou econômicas”, declara.
Mesmo considerando a prática literária como algo essencialmente
individual, sua mudança para Brasília resultou em
um envolvimento com associações como o Sindicato dos
Escritores do Distrito Federal, e o grupo Coletivo de Poetas, fundado
há 12 anos. A escolha de uma cidade com notáveis atrativos
estéticos fez com que Alceu também percebesse a capital
federal como um local de contrastes e sínteses sociais.
Sobre o potencial literário candango, o escritor acredita
no desenvolvimento de um pólo marcado por muita criatividade
vinda de um número crescente de escritores e conclui: “Brasília
congrega pessoas de várias nacionalidades e regiões
brasileiras, desenvolvendo características próprias
em razão dessa cultura plural”.
Epicilo, a estréia de Alceu Brito Corrêa lançada
pela editora carioca Blocos, está a venda na Livraria Nobel
do Terraço Shopping, em um stand reservado especialmente
aos escritores do DF.
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