Parnaíba
O vento varre a poeira nas telhas vermelhas
arrepia palmas e palhas das carnaubeiras
beija mangas despenteia mangueiras
levanta areias da orla desloca dunas
canta em surdina pequenina cantiga.
Invisível cavalo solto entre buganvílias
em flor galopa por ruas e calçadas
lambendo campos salpicados de xananas
balançando redes em alpendres e varandas.
Mas nos portos os barcos apenas oscilam
viagens presas às amarras do passado.
Também o trem já fóssil não avança sobre
trilhos enferrujados escondidos na relva.
Caranguejos de metal os carros e motos
se arrastam lerdos pelos dias mornos
trepidando nas pedras ou alisando o asfalto.
Imitam as águas turvomansas do Igaraçu
rumo ao delta e ao vasto abraço do mar
entre margens de barro calhaus e árvores
enquanto pássaros rabiscam o céu da tarde.
Astrid Cabral
Enviado por Francisco Miguel de Moura