POESIA PARA MUDAR O MUNDO - 2015 - BLOCOS ONLINE
Ricardo Ingenito Alfaya

RICARDO INGENITO ALFAYA - Ricardo Alfaya é carioca, de 08.08.1953. Filho de Ricardo Ambrosio Alfaya Garcia e de Maria do Carmo Ingenito Alfaya. Divorciado, sem filhos. Formado em Direito e em Comunicação Social, com especialização em Jornalismo. Escreve em verso e prosa. Faz poesia visual. Autor dos livros de poesia: "Através da Vidraça", São Paulo, Poeco Editores (atual João Scortecci Editora), 1982. "Sujeito a Objetos", em Rios, coletânea de Poemas, Rio de Janeiro, Ibis Libris, 2003. "Frutos da Paixão", em Vertentes, Rio de Janeiro, Five Star, 2009. "Álbum sem Família", em Quadrigrafias, Rio de Janeiro, Uapê, 2015. Integra 45 obras coletivas em livro. Obteve 40 prêmios literários. Dentre esses, sua inclusão por Leila Míccolis no projeto "Brasil 500 Anos de Poesia", seleção dos mais significativos nomes da poesia brasileira. É apresentado como referência e exemplo no estudo "Beyond the Page: Brazilian Poetry since Modernism", da autoria do poeta e crítico literário Harry Polkinhorn, Diretor do San Diego State University Press, na Califórnia. A convite dos escritores e editores Sérgio Gerônimo e Márcia Leite (Oficina Editores e APPERJ), atua como jurado no "II Festival de Poesia Falada do Rio de Janeiro – Prêmio Francisco Igreja", em 2009. Participa também como jurado, em 2013 e 2014, em dois concursos (de poesia e contos), patrocinados pela editora Literacidade, de Belém-PA. Foi citado por críticos e escritores como: Joaquim Branco, Márcio Almeida, Márcio Catunda, Rogério Salgado, Silvério da Costa e Tanussi Cardoso entre os nomes de destaque no cenário da poesia nacional. Consta da "Enciclopédia de Literatura Brasileira", direção de Afrânio Coutinho e J. Galante de Sousa, sob a coordenação atual de Graça Coutinho e Rita Moutinho. Tem poemas publicados e traduzidos em 11 países. É membro da UBE-RJ (União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro). Atualmente trabalha como revisor e consultor literário.
ricardo1292@hotmail.com

POR BAIXO DOS PANOS

Não se deve confundir
um monge com um anjo.
Todo anjo legítimo,
além de alvo e belo,
contém um quê de eunuco serviçal.
O anjo autêntico ostenta um halo claro,
sua marca registrada de vassalo.
O monge, rosto coberto por capuz,
sob pardo hábito conduz
inquieto falo que se ergue
e variadas culpas que o perseguem.
O anjo, sob plumas de vento
e vestido de nuvens,
não pode rir ou chorar.
Vítima de pura e casta imortalidade,
toda emoção lhe é proibida.
O monge, ordinário mortal,
movido por essa dor,
tanto ora quanto impreca aos céus.
No entanto, mesmo no pranto,
o monge sabe o quanto
o sofrimento moral o distingue
da inocente placidez luminosa
do anjo ou do comum animal.
Nessa singular miséria de ser consiste
a razão de sua discutível
e nebulosa superioridade.

Ricardo Ingenito Alfaya
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