Carioca, 69 anos. Redator publicitário e jornalista, trabalhou nas maiores agências de propaganda do país. Ocupa, como membro vitalício, a cadeira n° 10 da Academia de Letras do Brasil. Possui 32 títulos publicados, entre poesia, prosa e temas técnicos. Por sua contribuição à cultura, foi distinguido com a Cruz de Cavaleiro da Ordem do Mérito do Instituto dos Docentes do Magistério Militar, e com a Comenda do Mérito Literário da Academia de Letras.

E-mail: amaurynicolini@terra.com.br
Página individual em Blocos Online:   em poesia

PEDIDO AO PAI NOEL

Eu queria tanto de novo ser criança,
principalmente perto do Natal,
para ver renascer toda a esperança
que sinto agora em estado terminal.
Como eu queria crer no bom velhinho,
e pedir o meu presente, na certeza
de que teria um presente meu, sozinho,
ao invés de repartir tanta tristeza.
Como eu queria acreditar. E ser feliz,
vendo na hora da ceia a mesa farta
com as pessoas em volta, como quis,
sem que nenhuma, como outras, parta.
Eu já teria ate pronta, nesse dia,
minha cartinha endereçada ao Pai Noel.
E ela seria o original desta poesia
escrita à mão num pedaço de papel.


Num Natal...

A árvore de Natal aqui na sala
mais uma vez enfeita este momento
em que a alegria com a saudade fala
e o sorriso se funde com o lamento.

A cada ano na família mais pessoas
não se sentam em volta desta mesa,
mas deixaram em nós lembranças boas
que ainda são mais fortes que a tristeza.

Na hora da entrega dos presentes
é inevitável a lembrança dos ausentes
e não se pode deixar de reparar

que a árvore toda acesa tem um fruto,
e de uma cor tão negra, como em luto,
porque é o passado que vem nos visitar.

Amaury Nicolini

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