EM AMARGO E AZUL

Homem do meu tempo
sigo meu destino.
Não temo o futuro
e os (falsos) amigos.
Sei do poder
que sempre me anima:
vida se criando
serventia
e descida
(aos infernos).

Permaneço
o que sempre fui:
reta retraçada
em amargo e azul.

Assim seguirei,
poeta e marinheiro,
minha própria le
(e degredo).

                                 Itálico Marcon

Do livro: "Ave de rapina", Edições Galaad, 1971, POA


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