FLORES DA LUA

Brancuras imortais da Lua Nova 
Frios de nostalgia e sonolência... 
Sonhos brancos da Lua e viva essência 
Dos fantasmas noctívagos da Cova. 

Da noite a tarda e taciturna trova 
Soluça, numa tremula dormência... 
Na mais branda, mais leve florescência 
Tudo em Visões e Imagens se renova. 

Mistérios virginais dormem no Espaço, 
Dormem o sono das profundas seivas, 
Monótono, infinito, estranho e lasso... 

E das Origens na luxúria forte 
Abrem nos astros, nas sidéreas leivas
Flores amargas do palor da Morte.

                                             Cruz e Sousa  

Do livro: Faróis, in "Antologia da Poesia Simbolista e Decadentista Brasileira", Seleção e Notas Francine Ricieri, IBEP, 1ª reimpressão, 2009, SP

Voltar