MÁSCARAS

“O Poema
essa estranha máscara
mais verdadeira
do que a própria face...”
(Mario Quintana)

Cena I

Máscaras
míticas
mágicas
nas faces das almas errantes
- cortejo de Dioniso...


Desejos
demoníacos
divinos
nos corpos dos atores
- palco do Olimpo...

Templo secreto
sumo sagrado
videiras
vinho de sortilégios
sangue dos deuses...

 

Cena II

O vulto inebriado de Orfeu
ao som da flauta
no desfazer das magias
vislumbra sua alma
Eurídice
para sempre perdida
no vale das sombras...

 

Cena III

Arlequins
poetas
curingas
loucos...
A cortina da vida se abre
para o encantamento
do sonho...

Cenário de orgias e de preces
chegadas e partidas
luz e trevas...
Somos palco e platéia
nos serenos desesperos...
Desacertos
desamores
desatinos...

 

Final

Fecha-se a cortina da fantasia...
Voltam as máscaras invisíveis...

Nós... atores:
personagens de uma peça
tragédia
comédia
dirigida pelos deuses
do Destino!...

Maria Lua

Poesia vencedora do Concurso "Um poema para o Teatro" (2006), promovido pelo GAMA - Grupo Arte Movimento e Ação, de Nova Friburgo/RJ, em comemoração aos seus 40 anos de atividade.

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