LAVADEIRA

—  E a cinza da fornalha
entranhada na toalha?
— Da minha unha está embaixo
ou  desceu pelo riacho...

Sob o balde, a rodilha,
esmagada, sobe a trilha.
Amarrada em velha colcha
mais pesada é a trouxa.

Ligeirinha, mui jeitosa,
molha, lava, torce  e cora.
Braço fino, sem canseira,
vai lavando, a lavadeira.

Extremosa, em boas águas,
ao trabalho não se nega.
Ensaboa, bate e enxágua
examina, afoga, esfrega.

Sobre a  calça e a camisa,
a espuma economiza.
Quando roto o  vestido
lava o fio só de comprido.

Louva o vento, estica a lida
no varal pendura a vida.
A brancura da bandeira
credencia a lavadeira.

Maria da Graça Almeida

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