Sendo eu mulher, muito mulher,
CUPIDO
confesso (e me penitencio, se é mister),
que não nasci para ser pobre!
Está no meu feitio desejar que a existência
se desdobre na magnificência, jamais em privações.Tenho gostos, requintes de caprichos,
ambições, e, sem razão, não nego aos meus
sentidos, os gozos com que a Vida me agracia,
enaltecendo a dor apenas em teoria!Porém, nada possuo em realidade!
Nem fausto, nem poder...
Porque, para seguir um velho ditado,
do Grande Livro, Santo e Consagrado,
o meu despotismo deve ser restrito,
e pertence, inda assim, ao meu Amado!Em meio ao destino que me impõe,
entretanto, eu duvido, haver outra
mulher a quem Cupido generoso Ofertasse
um lindo trono, com mais magnificência do que
o meu,onde governo só, como a depositaria
de um tesouro de Amor, que tocou o apogeu!E, por muito que conte e reconte,
meu Capital de multimilionária,
eu nunca chego ao fim, porquanto de
uma fonte fecunda e inexorável se origina.Cresce dentro de mim esta riqueza ilimitada,
sólida e genuína, que me empresta atitudes de
Princesa! E, entre as Fortunas de que tomo
a nota, a minha é que mais vale e mais ressalta,
pois dos meus bens a renda não se esgota!
ESPERANÇAS (Cartas de amor)
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Tudo te espera, não pare na vida que
os sonhos não findam, ergue-te e caminha,
as imagens guardam o seu tempo de
exaltações, em meio, astros solidários.Existem silêncios circuncristos à tua redoma,
no entanto tua alma é silêncio que a noite
adentrou em ti, e teu interior é onde adormecem
tuas crianças, a onde se apegam Esperanças.O sonho jubiloso não dá ouvidos a gente
que traz na alma o grito ardiloso das víboras.
Não pare na vida que o sonho não finda
e o mundo pode ser tua Poesia.Ninguém sabe que o seu coração pulsa,
ferido, no meu coração, e que a tua dor,
minha dor se faz no torpor da mão e da paz.Tudo assim luzindo devagar na candeia onde abrasamos o amor...
A luz alteia, anotai bem, ela é o desabrochar duma
flor no fundo do cais, cá por cima
e ilumina cada vez mais!Efigênia Coutinho