O Silêncio do Amor

E ainda havia o desejo
Fremindo no peito em sobressalto
Intenso a revirar o olhar indigente
Vasculhando um canto qualquer
Onde suspiros deviam esconder-se
Promessas sequer foram feitas
Apenas juradas nos lábios do silêncio
Pelas carícias que se entreolhavam
Táteis e reais como os raios de sol
Que lhe beijavam a pele nua
Nenhum limite dizia-lhe da distância
Ou qualquer "se" em vigília
A desalinhar o encontrar de mãos
Ouvia-se o dilatar dos poros
A ansiar o tremor dos corpos...

E ainda havia o amor
A abraçar a saudade calada
Banindo a dor gris
Que habitava o sótão da alma
Já não existia o nunca mais
O aceno de lágrimas dos dedos
Nem o cansaço da espera
Dependurado nos varais do olhar
E os sonhos que se julgavam perdidos
Levados pela ave do tempo
Cruzaram os céus da incredulidade
Acordando auroras, luares e estrelas
Derramando-se em conchas de prazer
Bebidas pela sede daqueles
Que se eternizaram amantes...

                                Fernanda Guimarães