a quem amei (ou "epitáfio")

esquece num tronco de árvore
o que te disse ontem
que ninguém pode saber
o que vai no meu sentir
que só eu carregue
a minha dor de existir

enterre num canto de areia
o que te falei hoje
nao deixe ninguém ver
o que vai dentro de mim
essa vontade de morrer
que me acompanha desde que nasci

pegue minhas cinzas
e não guarde sobre a lareira
o que restou de mim
deixe que o vento leve
com um só sopro
minha vida breve

deixe que o mar, que eu tanto amei,
apague de vez minhas pegadas
deixe o tempo passar
até que não reste sobre a terra
qualquer lembrança de mim
porque só assim
só assim, te imploro,
estarei, em definitivo,
liberta de mim.

                                       Denise Duarte