JÓIA

Engasto no meu verso o teu olhar
— turquesa verde-azul que me fascina;
da face, a palidez desse luar
assim que a tarde nos jardins reclina.

O teu sorriso puro de menina,
e o jeito fácil, plácido de andar,
que mais parece uma visão divina,
— quase não toca o chão, a flutuar.

Ponho teu corpo frágil no terceto,
tingindo, muito leve, meu soneto
rubro matiz de amor-sensualidade.

E tua alma é pedra de brilhante,
a lágrima perfeita e, enfim, bastante
para compor a jóia da saudade.

                                       Cícero Acaiaba