CARNAVAL

o menino encara o tempo
com os olhos que não são mais os seus

o menino é o pai de si mesmo.

Carnaval no Rio de Janeiro

deixa falar
eu vou sozinho pelas ruas do passado
fingindo que sobrevive o carnaval
dos coretos
dos bairros da central do Brasil

embalado pelas marchas de João de Barros e Lamartine Babo
o Bafo da Onça
o Cacique de Ramos
as grandes sociedades
os clubes de frevo
os ranchos
os arlequins
as colombinas

deixa falar o coração
pelo Rio de Janeiro 
dos bondes 
dos lotações

o menino quebrando os tapumes para ver as escolas de samba na Presidente Vargas
com menos tecnologia e mais alma

os blocos de sujo
os blocos das piranhas
corsários
clowns, Clóvis, bate - bolas
melindrosas
baianas
mascarados 
o carnaval sem cordão.

                        Flavio Machado

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