
Antigos Carnavais
Onde estão os pierrôs
e as dengosas colombinas,
que nos carnavais enfeitavam
o meu tempo de menina?
Aonde andam as bruxas
e as princesas encantadas,
que nos salões desfilavam,
como em contos de fadas?
Aonde trotam os cavalinhos,
que bem trago na lembrança,
rodopiando em desalinho,
assustando as crianças?
Onde dançam as bailarinas,
de saias armadas e finas,
sapatilha, na perna, amarrada,
sorrindo de boca pintada?
Aonde andam os mascarados,
que sutis nos cortejaram?
Alguém tão bem o disse:
— Mascaram-se na velhice!
Onde estão todos os confetes,
que em cascatas coloridas,
choviam das jovens mãos,
salpicando a rua, o chão?
Nem ao menos sei dos momos...
mas se eu fosse fada ou gnomo,
dos carnavais, com certeza,
resgataria a pureza!
Porque hoje, na verdade,
longe dos bailes antigos,
só sei da bruxa saudade,
que triste arrasto comigo!
Maria da Graça Almeida
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