QUÍMICA DO  POEMA

                     Ademar Ribeiro

Quando matares,
não mates por dia,
não mates por mês
nem mates por ano.
Não mates com tora,
em tocaia, na esquina,
não mates com vírus,
não mates com bala
nem arma de cano.
Não mates só um,
nem apenas dois,
nem somente três,
nem setenta e cinco
nem cinco mil e poucos.
Mas, ao matares, agora,
e quando matares ainda,
mata sem pena, de vez, e por cima,
na química do poema, na cabala da rima,
oitenta e oito mil, oitocentos e oitenta e oito. 

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