LINGUAGEM, MITO E HISTÓRIA EM “AL CAPONE” DE RAUL SEIXAS
                              Jayro Luna

A Canção “Al Capone” de Raul Seixas que fez grande sucesso como faixa do disco Krig-Ha Bandolo, de 1973, é um bom exemplo da poética que subjaz às canções deste que foi um dos mais importantes músicos da MPB e do rock nacional e que, no entanto, quase não tem sido objeto de estudiosos da cultura musical brasileira. Sua influência se fez notar sobre toda uma geração e ainda hoje é um dos autores mais cultuados pelos jovens. No presente texto vamos apenas comentar alguns aspectos que encontramos na referida composição com o objetivo de demonstrar como Raul Seixas soube organizar e reinterpretar a cultura de sua época com vistas à formação de um pensamento que, se de um lado, pode ser associado à Contracultura, de outro, e principalmente, parece ser o resultado de uma reavaliação de uma sociedade que vivia entre a censura e o medo, entre o apelo à liberdade de expressão e o controle das chamadas patrulhas ideológicas. Nesse sentido parece nos conveniente classificar esta música c! omo dotada de caracteres do que alguns chamam de Neobarroco.
Antes de tudo é preciso notar que as referências aos personagens históricos e contemporâneos de Raul Seixas citados na música exigiam da platéia um conhecimento mínimo ou básico de História, mas de uma História de caráter popular, inserida naquilo que costumeiramente definimos por “Conhecimentos Gerais” e que, a rigor, é fruto direto da cultura dos Mass Media, uma vez que tais personagens são constantemente citados em reportagens, documentários, comics, filmes, outdoors, textos de propaganda, no mais das vezes como ícones representativos de determinadas emoções e comportamentos. Júlio César, Jesus Cristo, Al Capone, Lampião no âmbito do conhecimento histórico e Jimi Hendrix e Frank Sinatra no âmbito do conhecimento da música norte-americana.
Os personagens citados podem ser agrupados numa tabela em que relacionamos suas características simbólicas que são destacadas pelo texto:

Personagem__ Qualissigno____ Sinsigno___ Legissigno
Al Capone___  Crime organ.___ Máfia______ Corrupção
César_______ Imperador______ Roma_______ Traição
Lampião_____ Crime organ.___ Cangaço____ Emboscada
Hendrix_____ Drogas_________ Rock_______ Overdose
Sinatra_____   Sucesso________ Velhice____ Status Quo
Cristo______ Cruz___________ Crucifixo__ Crucificação
Pai_________ Deus___________ Cristian.__ Vida eterna

Na tabela 1, colocamos na primeira coluna os personagens citados diretamente na letra da música, nas colunas subseqüentes mostramos as relações sígnicas que ao nosso ver caracterizam tais personagens, assim, p.ex., Al Capone é o símbolo do crime organizado, mas também é um ícone da Máfia e sua figura aponta (portanto é um índice) para o sentido da corrupção do estado em função de que sua ação se fez durante a vigência da Lei Seca nos Estados Unidos.
Os 7 personagens históricos podem ser reagrupados em 2 tríades e um isolado. Uma das tríades é a composta pelos personagens relativos à Antiguidade e ao surgimento do Cristianismo: Cristo, o conceito de Deus e Júlio César. Cristo representa nesse aspecto, com sua cruz e o ato da crucificação, o surgimento do Cristianismo, que, enquanto religião, se fundamenta na certeza de ser ele o filho de Deus. Júlio César representa o poder temporal dos homens, personificado no Império Romano. Cristo promete a vida eterna que só é alcançada via a crença em sua doutrina, que assegura ter ocorrido sua ressuscitação ao terceiro dia como prova não só de sua divindade, mas também da garantia dessa vida eterna. Na canção, porém, o poeta-astrólogo pede a Cristo que abandone o Pai, ou seja, deixa de lado sua crença e se volte para sua própria condição de homem, mais que a condição de filho de Deus. Se assim não podemos ter garantia de sua divindade nem da vida eterna, por outro lado, o poder tem p! oral dos homens também nada nos oferece, uma vez que a César se pede que não compareça ao senado, onde será vítima de traição. Apenas Deus, enquanto figura onipotente, mas também conceitual, não visível em seu aspecto físico no mundo dos homens continua, porém, impotente diante do descrédito que se afigura a sua volta.
A outra tríade é a composta pelos personagens da cultura urbana norte-americana: Jimi Hendrix, Frank Sinatra e Al Capone. Nessa tríade, Jimi Hendrix se opõe a Frank Sinatra, pois representa a radicalidade da Contracultura, o rock, e sua morte ocorrida por overdose de drogas em 1970 é colocada como alusão nos versos: “Hei, Jimi Hendrix, abandona o palco agora, / Faça como fez Sinatra, compre um carro e vá embora”. Ou seja, se Hendrix abandonar o palco, deixar sua radicalidade e se retirar para gozar da fama adquirida; ao comprar um carro poderá alcançar a longevidade de Sinatra. Completando a tríade está a figura central de Al Capone - tão central que dá título à música e é o tema do refrão. Pois Al Capone representa também a radicalidade, só que no sentido da corrupção do sistema. O grande chefe mafioso não é um signo da Contracultura, mas um signo da corrupção do sistema. Sua ação se fez pela própria incongruência do sistema social e político americano, fundamentado na lei s! eca, lei que contradizia o sentido econômico e mercadológico do way of life americano, mas que se sustentava numa visão estereotipada de valores pseudo-religiosos e morais, valores esses que ainda sustentam boa parte do eleitorado da atual política intervencionista americana. Enriquecendo-se na venda e no controle da distribuição proibida de bebida alcoólica, Al Capone só pode ser pego não pelo crime que cometia, mas pelo deslize de sonegar imposto.
Se justapormos a tríade primeira, da antiguidade, com a tríade da sociedade americana, temos as equivalências anunciadas de seus vértices, formando assim três pares: Jesus Cristo/Jimi Hendrix, Al Capone /Júlio César, Frank Sinatra /Pai(Deus).
O primeiro par se constitui pelo não apenas no signo da morte trágica e anunciada: A morte de Cristo era prevista pelo próprio Cristo nas suas parábolas e discurso aos seus seguidores. A morte de Hendrix era prevista no discurso oficial que buscava combater o vício das drogas. Mas, o que mais sustenta essa par é o signo da radicalidade. Cristo e Hendrix são colocados como representantes de uma postura revolucionária em relação ao sistema.
O segundo par se compõe na questão da corrupção intrínseca ao sistema, no crime que surge no seio do sistema social e que se mantém graças aos aspectos contraditórios da realidade social. Assim, a máfia de Al Capone não combate o sistema, mas se instaura no sistema e dela tenta tirar proveito. O comércio ilegal de bebida alcoólica se sustenta em razão da natureza inconsistente da lei que o proíbe. E a razão desta lei tenta se justificar por uma postura moralizante que não compactua harmoniosamente com o sistema que visa proteger. No caso de Júlio César, também temos a corrupção do sistema. A traição que sofre o imperador romano é fruto de uma organização imperial que busca manter o poder e suas vantagens em detrimento de qualquer valor ético, muito embora seu discurso se apresente como fundamentado também nessa mesma ética. Pode-se dizer que a prisão de Al Capone e a morte de Júlio César foram resultados da reação do sistema ao excesso de poder paralelo que a corrupção pode c! onferir. O sistema reage quando existe, digamos assim, um fator limite de corrupção que o sistema pode suportar sem entrar em crise estrutural. Se Al Capone não pudesse ser preso, o crime organizado desestabilizaria a ordem social das cidades americanas, notadamente Chicago (“Assim dessa maneira, nego, Chicago não agüenta”), se Júlio César não fosse traído pelo senado, o próprio senado e a república romana se desestabilizariam em função de uma monarquia ditatorial e populista.
O terceiro par (Frank Sinatra/Pai) representa o controle para que o limite que o sistema social traça para que sua organização se mantenha, de certa maneira, esse limite pode ser traduzido no elemento que organiza a hierarquia e o status quo. Deus-Pai representa na primeira tríade, a lei passada pelo Velho Testamento, e sobre ela se mantém a religião judaica. Embora a região de Israel estivesse sob o domínio estrangeiro dos conquistadores romanos, essa religião sustentava a ordem social, e é justamente ela a causa da morte de Cristo. Frank Sinatra, por sua vez, representa na segunda tríade o limite de corrupção que o sistema pode suportar, as supostas ligações de Sinatra com a máfia e seus relacionamentos amorosos polêmicos faziam parte do que o sistema poderia prever e suportar, o que dava à figura de Sinatra um tom de polêmica que só fez por aumentar o interesse por sua carreira. Cabe ainda lembrar que no final da década de 40, Sinatra entrou em decadência, mas no início d a! década de 50, o filme A Um Passo da Eternidade recolocou o artista no auge do estrelato. Nesse sentido é que Frank Sinatra está para Jimi Hendrix, assim como Deus está para Jesus Cristo. O par Pai/Sinatra compreende o status quo, a garantia de sustentabilidade do sistema social, ao passo que o par Hendrix/Cristo representa a quebra dessa garantia e a revolução da ordem institucionalizada. São essas as condições ideais para o martírio e a reconfiguração dessas personagens no âmbito da mitificação, ou seja, na transformação de suas figuras em mito. Porém, se Cristo, com sua morte, deu origem ao Cristianismo por ação de seus seguidores, a morte de Hendrix teve caminho reverso e representou um dos pontos finais da Contracultura, confirmada, num contexto próximo, pela lendária frase de John Lennon: “O Sonho Acabou”.
A figura de Lampião, na sua singularidade, é o único personagem que não pertence nem à Antiguidade nem à cultura americana. É o personagem brasileiro. Enquanto tal, Lampião compõe o signo do conceito de Brasil que subjaz ao texto. Lampião está em convergência com Al Capone, uma vez que como o grande chefe da Máfia, era o líder de uma organização de caráter criminoso, o cangaço. Também Lampião está em convergência com Jesus Cristo, uma vez que sua morte o mitificará, será cantada pelos repentistas e pelos cordéis e se cristalizará num ícone da cultura popular nordestina. Lampião ainda está em convergência com Jimi Hendrix tanto como com Cristo, uma vez que sua morte significará a normalização do sistema, do status quo. Nesse sentido em Lampião está como que, latente, uma nova organização dos elementos históricos, uma linha que liga Al Capone, Jesus Cristo e Jimi Hendrix, linha essa que se opõe a Frank Sinatra, Júlio César e Pai, estes três personagens representativos do poder ,! do próprio status quo, estes três podem ser traduzidos no tripé Máfia - Estado - Religião, ao passo que Hendrix, Cristo e Al Capone formariam o tripé da revolução artística, religiosa e o caos social. Lampião consubstanciaria esse tripé, causando o caos no sertão, o sentimento de desordem social levaria ao sentimento de clima apocalíptico tão característico do imaginário religioso nordestino e que é tão constante na arte popular daquela região.
Mas todo o discurso da letra desta canção se estrutura sobre uma outra tríade, não tão explícita, mas que organiza de forma quase subliminar o texto. A tríade é composta pelos elementos Astrólogo (eu), tu (você ) e eles (os outros).
Nessa tríade se instaura o processo de comunicação que envolve a letra da canção. Raul Seixas travestido de astrólogo, profeta do rock, figura que cultivou em várias outras canções e discos (Gita, Eu nasci há 10.000 anos atrás, O Dia em que a terra parou, etc...) comunica-se com seu público e o que tem ele nessa canção a dizer é que a História está diante de todos e ela serve de exemplo para que se compreenda as conflituosas relações entre os indivíduos e o sistema social dominante. Como se estivesse diante da máquina do mundo, Raul Seixas não só parece suspender o tempo como sincroniza os mais distantes acontecimentos num mesmo momento, o instante de seu discurso. Assim é como se Cristo ainda estivesse vivo e pressentisse a possibilidade da morte próxima, Al Capone tem que ser avisado que o que ele tem feito à Chicago exigirá medidas drásticas do Estado para controlar suas ações e tirá-lo de circulação, Lampião ainda vive no sertão, Júlio César ainda impera em Roma e Hendri x! ainda sola sua guitarra. Esse tempo suspenso, sincrônico e que se apresenta diante de Raul e de seu público existe de fato, e estava na casa de praticamente todos os seus fãs: a televisão e a mídia. Por isso, o conhecimento de História que o compositor exige de seu público é aquele que faz parte da média previsível pelos mass media.
Nesse tempo sincrônico e suspenso, Raul apresenta nessa nova máquina do mundo as causas eminentes que levaram/levarão seus personagens à tragédia e ao encontro com seus destinos. A corrupção do sistema, o crime organizado, a revolução religiosa, as drogas e a revolução artística, são esses os fatores específicos que causam o final trágico de cada um, e paralelamente, Raul ironiza que existe uma saída caso algum desses personagens quisessem garantir suas próprias vidas: a desistência, a retirada - estratégica ou não. Assim Hendrix deveria abandonar o palco; Cristo, a sua fé; Al Capone, o tráfico de bebidas e a máfia; Lampião, o cangaço; Júlio César deveria evitar o encontro com o Senado romano.
Os verbos indicativos de ação na canção são indicativos dessa situação de sincronização das diferentes épocas e lugares.
No refrão o verbo “ver” aparece associado aos verbos “emendar” e “orientar” no modo imperativo. O verbo “ver” ainda aparece no verso que fala de Júlio César, agora associado ao verbo “ir” negativado pelo advérbio de negação (“não vai”). Este “ver” é o que determina a relação atemporal, suspensa, sincronizada entre o astrólogo e os personagens históricos.
Por sua vez, o verbo “ir” ainda aparece mais duas vezes. Quando se avisa Lampião que eles (a volante) irão à feira exibir a cabeça do cangaceiro caso ele não atenda ao aviso que o compositor-astrólogo dá. E também quando se pede a Hendrix que abandone o palco e “vá embora” ao modo de Sinatra. Assim, o verbo ir, em verdade, continua sugerindo a idéia de “não ir”, ou seja, Lampião e Hendrix não devem continuar o percurso que seguem para que possam evitar suas mortes.
Reforçam esse aspecto de pressentimento e de aviso que o compositor-astrólogo apresenta os verbos que sugerem a descontinuidade e a retirada: abandonar, dar, deixar, desaparecer.
O verbo saber tem um papel importante nessa estrutura. Aparece duas vezes, uma no refrão e outra na referência a Júlio César. Acompanhado do advérbio de tempo “já” o que esse verbo informa é que os planos de ambos os personagens (Júlio César e Al Capone) já são do conhecimento de seus opositores.
Completam o panorama outros verbos no imperativo: foge, compre e faça. Aliás, o verbo fazer quando se refere a Cristo, apresenta-se também no presente do indicativo (faz) associado à expressão “o melhor que”, querendo dizer que Cristo está prestes a fazer a opção errada, qual seja, a de continuar com sua pregação.
Os verbos no infinitivo (deixar e controlar) associam-se a esses imperativos de forma a criar a ilusão da suspensão do tempo, uma vez que o infinitivo se caracteriza pela nominalização da ação. Esses dois infinitivos resumem o aviso dado pelo astrólogo. O verbo deixar tanto indica a interrupção da ação que os personagens históricos praticam quanto indica a retirada de cena, ao passo que a tentativa de controlar seus destinos e o próprio mundo se torna cada vez mais uma impossibilidade. Nesse caso anuncia-se o caráter trágico dessas personagens, não podem modificar o destino que lhes foi traçado.
Desse modo, o astrólogo, como uma espécie de novo Tirésias, avisa o que vê aos personagens da canção sem que, no entanto, tais personagens possam efetivamente alterar suas rotas. Seria então um trabalho inútil esse aviso? Evidentemente não é para os personagens históricos que se dirige a preocupação do poeta, mas para o “você” da tríade astrólogo-tu-eles: seu público. O público deve considerar esses fatos históricos e ponderar acerca dos riscos que envolvem a radicalização a assumir o quanto está disposto a tomar posições no sentido de alteração do status quo. E Raul Seixas compôs uma obra cuja tentativa de organização de uma visão de mundo alternativa ao sistema social dominante se fez presente em canções como Sociedade Alternativa, Novo Aéon, Metamorfose Ambulante, entre outras.
Na estrofe final da canção o verbo “ser” revela a identidade do eu-lírico, o astrólogo (eu sou astrólogo). O verbo “ser” no presente do indicativo coloca o astrólogo e seu público diante da máquina do mundo. O público, por sua vez, está diante da revelação, tem a possibilidade da epifania, para tal, porém, é preciso acreditar na palavra do astrólogo (verbos que se destacam nesta estrofe) e a autoridade que o astrólogo tem vem do fato de que ele conhece a história do princípio ao fim, muito embora, em verdade, ele não tenha feito previsão alguma, uma vez que os fatos que prevê estão circunscritos ao passado. Assim, falso profeta que, no entanto, encanta sua audiência, haja vista que o que ele narra é do conhecimento de todos, como um aedo a cantar passagens épicas ou um sacerdote a proferir hinos já conhecidos dos fiéis, mas que, e exatamente por isso, têm o poder de hipnotizar a atenção de sua platéia, tanto pela recorrência quanto pela forma como estrutura seu discurso. E o s! elementos que destacamos: suspensão do tempo, sincronização dos fatos históricos, estes dois elementos criando a sugestão da revelação/epifania diante da máquina do mundo confirmam o poder dessa estrutura. O astrólogo é que aquele que vê o destino nas estrelas, aqui, ironicamente, as estrelas pelas quais observa o destino de sua platéia são estrelas históricas descaracterizadas ou, ao menos, esvaziadas pela mídia: Cristo, César, Al Capone, Lampião, Hendrix. São personagens transformados em ícones gerais, em alegorias. E é justamente nesse ponto que creio está a maior virtude de Raul Seixas nessa canção, o modo irônico com que compreende o poder da cultura de massa e como constrói um discurso que se estrutura como paródia do mundo pastichado pela mídia.
Nesse aspecto convém observar que se excluímos a estrofe final, vemos que a música fica composta por um refrão de dois tercetos e o restante da letra tem dois quartetos, dentro dessa organização não se pode deixar de comentar que tal estrutura de estrofes é o inverso da estrutura do soneto. Não poderia ser de outra forma, uma vez que o soneto é a forma fixa que representa a tradição e o cânone da literariedade e a estrutura estrófica da canção “Al Capone” só poderia sugerir a subversão e corrupção da tradição e do cânone.
Assim também é cabível notar que os personagens históricos citados compõem uma conjunto heterogêneo e díspare, em que se encontra lado a lado profeta, mafioso, astro do rock, imperador romano e cangaceiro. Justamente esse o grande poder da mídia, descontextualizar personagens e fatos para compor a geléia geral. E Raul é o astrólogo a rir e parodiar essa geléia geral tendo como máquina do mundo a televisão, sua astrologia é a das revistas de variedades e suas profecias, embora restritas ao domínio do passado esvaziado, denunciam a incoerência do presente e a falta de perspectiva para o futuro, justamente estas as maiores qualidades de qualquer profeta.

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NOTAS:
1. “Os meios de comunicação de massa, que tendem a absorver como casos particulares todos os outros meios de comunicação partem da soma dos eventos e destes fatores de valorização para senti-los coletivamente, para acondicioná-los, dar-lhes formas, construir com eles um fluxo de mensagens e ir regar o corpo social através de procedimentos técnicos.” (MOLES, Abraham. Sociodinâmica da Cultura, trad. Mauro W. B. de Almeida. São Paulo, Perspectiva, 1974, p. 32)

Página atualizada em  18 de abril de 2005

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