LIVROS EM BLOCOS, POR MARLI BERG
Coluna de 27/12/2011 - nº 322
Como começar o ano de leituras? Com livros sérios, romances leves, textos clássicos? Você vai escolher o que preferir, entre as várias sugestões, de diversos gêneros, que vamos dar hoje. Que 2012 seja repleto de saúde, amor realização e, claro, de leituras que o façam viajar, aprender, refletir e se tornar uma pessoa sempre melhor, mais consciente, lúcida e amante do próximo. Livros em Blocos e o portal Blocos Online estarão em férias durante todo o mês de janeiro. Mas, se quiser mandar e-mails com perguntas, sugestões e recomendação de livros, estaremos a disposição. Apareçam, vocês são sempre bem-vindos, e obrigada por toda a interatividade ao longo deste 2011 que está indo embora. 1. Mulher / Direitos / Femininismo Um momento histórico está marcando a presença feminina no Brasil: a eleição da primeira mulher para o mais alto cargo da nação, o de Presidente da República. Mas será que isto é um sinal que nós, mulheres, estamos conseguindo nos impor e, finalmente, conseguindo o maior objetivo do feminismo, os mesmos direitos dos homens? Infelizmente não, como prova o excelente (e muito oportuno) O Livro Negro da Condição das Mulheres (Difel), que foi feito sob a direção da jornalista e escritora Christine Ockrent,que organizou a obra, com coordenação da historiadora, jornalista e escritora Sandrine Treiner e posfácio da socióloga e perita da ONU junto a Convenção das Nações Unidas sobre a eliminação da Discriminação em Relação a Mulher. O livro apresenta uma análise impressionante das mazelas enfrentadas pelas mulheres de todo o mundo, apesar dos avanços na conquista de direitos, e crescente participação feminina na vida política e econômica do mundo. Na verdade, nós, mulheres, ainda enfrentamos graves problemas de segurança, liberdade, dignidade e igualdade, que precisamos eliminar para conquistar o direito de existir plena e dignamente. Dependendo do lugar do planeta onde morem, as mulheres podem ter mais ou menos direitos. Por exemplo, nos países árabes, a submissão feminina deve ser total, enquanto no Ocidente, a igualdade de direitos não é mais contestada. Mesmo assim, a vida continua a ser mais difícil para a mulher, que ganha menos, tem dupla jornada de trabalho e ainda não consegue alcançar a igualdade plena com o parceiro masculino. Mas como combater as injustiças e discriminação contra nosso sexo?
Escrito pelo grande escritor americano Washington Irving (1783-1859) em 1820, o conto A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça (Leya) já deu origem a vários filmes, sendo que a versão mais conhecida é a realizada por Tim Burton, que explora também o lado sobrenatural da história. Uma das histórias mais sombrias e populares da história da literatura americana, esta pequena obra-prima do conto acompanha Ichabod Crane, um excêntrico professor, que quer conquistar o amor de Katrina, filha de um rico fazendeiro de Sleepy Hollow.
Vinte e quatro crônicas ou esquetes compõem esta deliciosa autobiografia do mestre da indignação, o cineasta americano Michael Moore que, em Adoro Problemas – Meio Século de História e Política Americanas Passado a Limpo (Lua de Papel) mostra que já disparou suas baterias sobre diversas causas, entre elas o imperialismo americano, a poluição industrial, o desemprego, a situação desastrosa do ensino e da saúde, e muitas outras. Os livros e filmes de Moore são documentários investigativos e politicamente engajados, e ele já recebeu prêmios importantes, como o Oscar por Tiros em Columbine. Este livro mostra episódios importantes de sua vida, desde a infância, e, apesar de ter tido pais que o amavam e um princípio de vida feliz, já mostrava, em pequeno, sua rebeldia e indignação. O bom humor permeia todas as histórias, e o cunho engajado é o mesmo que se vê em seus documentários, com o protagonista passando pelos principais fatos da história recente com uma participação curiosa e atuante.
5. Romance Chileno A consagrada autora chilena Isabel Allende, cujos títulos são publicados no Brasil pela Bertrand Brasil, lança, entre nós, O Caderno de Maya (Bertrand Brasil), que se passa nos dias atuais. A personagem central do romance é uma jovem americana de 19 anos, Maya, que vai para uma remota ilha da costa chilena depois de uma vida d drogas, crime e prostituição. O romance é o depoimento da própria protagonista, que conta tudo que lhe aconteceu, descobre um importante segredo de família e começa a entender o significado das palavras amor e lealdade. Segundo Isabel Allende, que é casada com um americano, a inspiração para o romance veio em função dos problemas com drogas enfrentado pelos filhos de seu marido, sendo que a filha levou o vício a tal extremo, que acabou morrendo. Allende é uma escritora sensível e profundamente feminina, que abre, sem pudor, sua vida pessoal, para dela extrair material ficcional de altíssima qualidade.
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