SAÍDA DE ITAQUÁ

O barco descansa na praia. A rede enrolada como uma teia de aranha ao sol.

Urubus ao lado esperam inquietos. Dois atobás passeiam imponentes dentro da água do mar. As ondas brancas quebram-se na areia, o peito branco dos atobás eleva-se muito alto.

Os pescadores limpam os peixes, logo jogarão as entranhas para os urubus e depois para os atobás no mar.

Brilhos de estrelas no escuro da areia monazítica, onde o mar desenhou árvores delicadas (procuro as flores e os frutos nos galhos).

Eu me ajoelho e contemplo e me recolho à minha concha.

O azul do céu e do mar, o verde das montanhas no espelho do mar.

Como um cachorro, o universo lambe os meus pés.

José Carlos Mendes Brandão

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