ESCREVIVER É PRECISO?

                    Para Jomard Muniz de Britto

Parafraseando o poeta, perguntaríamos: quem lê tanta notícia?
A leitura, afinal, alimenta a vida ou a vida deve ser dividida entre a leitura e o viver?
A lei da vida atura leituras diversas não vividas ou é a vida uma leitura adversa e não dividida?
Entre a dúvida das leituras não vividas e a dívida das vidas não lidas, por quem balançaria o seu coração?
Por outro lado, que impulsos estranhos e ancestrais levariam os poetas a se esquecerem da vida e, divididos, distanciarem-se de si mesmos para a prática de outras leituras?
Esse impulso esquizóide serviria para um entendimento mais amplo do mundo que nos cerca - poetas e leitores - ou apenas serve para fazer-nos esquecer (fuga nº 2?) esse mesmo vasto mundo? Enfim: escreviver ou viver visões?
E, raimundos ou severinos, buscar rimas ou soluções?
Navegar nas águas de um espelho é preciso ou não existem outras traduções/leituras possíveis para a ilusão da vida?

Clóvis Campêlo