A COUVE E O CARVALHO
(1910)

                     Enquanto Deus nos dê um resto de alento, não há que desesperar da sorte do bem. A injustiça pode irritar-se: porque é precária. A verdade não se impacienta: porque é eterna. Quando praticamos uma ação boa, não sabemos se é para hoje ou para quando. O caso é que os seus frutos podem ser tardios, mas são certos. Uns plantam a semente da couve para o prato de amanhã, outros a semente do carvalho para o abrigo ao futuro. Aqueles cavam para si mesmos. Estes lavram para o seu país, para a felicidade dos seus descendentes, para o benefício do gênero humano.

Rui Barbosa

Do livro: Antologia Nacional ou Coleção de Excertos, org. Fausto Barreto e Carlos de Laet, Livraria Francisco Alves, 1963, RJ

« Voltar