Estou no Orkut

             

Entrei nessa nova onda do orkut. Para quem não sabe, é um jeito diferente de se formar (ou reencontrar) comunidades por meio da Internet. Você só entra se for convidado. Uma vez dentro, descobre que pode começar a sonhar com a chance de rever velhos amigos perdidos no espaço ou que voaram com o National Kid.

Tenho uma bruta esperança de achar o meu amigo André Falkowski (acho que era essa a grafia), ex-colega do Colégio IV Centenário, do Ipiranga, em São Paulo e companheiro de grandes caminhadas entre a minha casa, a casa dele no jardim da Glória e a Rua Augusta, onde íamos comer X-salada (eta, passeinho maluco!).

Quem sabe encontre alguém da família dos são-paulinos Oshiro, que moravam na esquina da Nazareth com a Moreira e Costa. Puxa, queria rever o Luizinho da quitanda. Ou até pode ser que receba notícias de algum colega do Major Arcy, na Vila Mariana, onde estudei mais tarde.

Se pudesse encontrar a professora Ana Maria, de Português... Ou pelo menos encontrar um jeito de enviar a ela um exemplar do meu livro. Se escrevo, só o faço porque aprendi a vencer o medo sob o olhar daquela professora. Não só porque era uma excelente profissional, mas porque teve a capacidade fantástica de despertar meu desejo de escrever.

Nestes dias em que ainda sentimos falta do suave Fernando Sabino, lembrei muito dela. Descobri o gosto pelas crônicas lendo textos dele, Rubem Braga, Paulo Mendes Campos e Carlos Drummond de Andrade naquela coleção “Para Gostar de Ler”, da Editora Ática. Foi a professora Ana Maria quem me apresentou a esses autores.

Foi ela também que mostrou as inúmeras possibilidades da criação através da escrita e, com isso, deu asas à águia que mais tarde decolou e ainda voa.

Queria saber notícias de tanta gente...

Pudera reencontrar aquele bando de notívagos inofensivos que faziam a vida mais suave no Bar do Amorim. Ou dos malucos-beleza que participaram dos festivais de música do Palmeirinhas de São João da Boa Vista. Ou que...

Engraçado, porque com o orkut se dá um passo em direção ao futuro. Mas o mergulho leva você de volta ao passado. Acontece com todo mundo. Experimente, vale a pena.

Maurício Cintrão