FULGURAÇÃO DE

PARCERIAS TEXTUAIS

 

Ressonâncias do Decadentismo

na Belle Époque Brasileira

(4º Colóquio) 

 

Estéticas de fim-de-século

(9º Colóquio)

 

17 A 19 DE JUNHO DE 2008

DIA 17 NO AUDITÓRIO MUNIZ ARAGÃO, NO PALÁCIO GUSTAVO CAPANEMA, 7º ANDAR
(Rua da Imprensa, 16)

DIAS 18 E 19 NO AUDITÓRIO DA FUNDAÇÃO BIBLIOTECA NACIONAL
(Entrada pela rua lateral)

RIO DE JANEIRO

 

 

  Programação e Resumos

 

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO

FUNDAÇÃO BIBLIOTECA NACIONAL

CNPq

 

CONJUGADOS COLÓQUIOS

 

Com o levantamento de debates acerca do tema parcerias textuais, os Conjugados Colóquios objetivam divulgar novos resultados obtidos por projetos pertencentes aos Grupos de Pesquisa “Ressonâncias do Decadentismo na Belle Époque brasileira” e “Estéticas de fim-de-século”, vinculados ao Diretório dos Grupos de Pesquisa no Brasil/CNPq.

 

O Grupo “Ressonâncias do decadentismo na Belle Époque brasileira” desenvolve, como proposta nuclear, a análise das modalidades de representação que – no contexto tropical das primeiras décadas do século XX – configuraram o repasse do Decadentismo em combinação com o movimento do “ Art Nouveau” .

Os integrantes do Grupo “Estéticas de fim-de-século”, mediante suportes metodológicos interdisciplinares, têm ampliado o inventário teórico-crítico sobre as modalidades de representação desencadeadas pelas artes, diante dos deslocamentos de idéias que enredaram as últimas décadas dos séculos XIX e XX.

No Auditório Machado de Assis, da Fundação Biblioteca Nacional, os trabalhos serão apresentados por docentes-pesquisadores de diversas instituições brasileiras.

 

 

Organizadores:

LUIZ EDMUNDO BOUÇAS COUTINHO (UFRJ)

LATUF ISAIAS MUCCI ( UFF/UNSA)

IRINEU EDUARDO J. CORRÊA (FBN)

 

PROGRAMAÇÃO

17 de JUNHO (TERÇA-FEIRa)

MANHÃ

9:30 – 10:00

FLORA DE PAOLI FARIA

MARIO PRAZ E ALEXANDRE EULÁLIO: PARCERIAS TEXTUAIS DECADENTISTAS E O NOVO ENSAIO CRÍTICO NA ITÁLIA E NO BRASIL.

10:00 – 10:30

GEYSA SILVA

POSE E ARTIFÍCIO NUMA ANGRA QUE O TEMPO LEVOU.

10:30 - 11:00

MAURO PORRU

VISCONTI/ D'ANNUNZIO: PARCERIAS TEXTUAIS

EM “L'INNOCENTE ”.

11:00 - 11:30

SONIA CRISTINA REIS

ALBERTO SAVINIO E SUAS PARCERIAS ESTÉTICAS:

O TEXTO LITERÁRIO E AS ARTES PLÁSTICAS.

11:30 - 12:00

HILARIO ANTONIO AMARAL

ECOS DA GERAÇÃO BEAT NA OBRA DE PIER VITTORIO TONDELLI .

 

  12:00 - 14:00 – Pausa

Tarde

 

14:00 - 14:30

LEILA MICCOLIS

MULHERES DA BELLE-ÉPOQUE E SUAS PARCERIAS TEXTUAIS LYRIO-LÍRICAS

14:30 - 15:00

LUCILA NOGUEIRA

PARCERIAS TEXTUAISEM JUDITH TEIXEIRA, FLORBELA ESPANCA, RAUL LEAL, ANTONIO BOTTO, FERNANDO PESSOA E MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO.

15:00 - 15:30

ELAINE DE ALMEIDA .

VISÕES DE AMÉRICA, CORAÇÃO DE ESPANHA – AS DUAS FACES DE UM POETA .

15:30 - 16:00

LUIZ GASPARELLI JUNIOR

FULGURAÇÕES NATURALISTAS BRASILEIRAS A PARTIR DO DECADENTISMO INGLÊS.

16:00 - 16:30

RAFAEL MARIO IORIO FILHO

OS REFLEXOS DE D'ANNUNZIO EM JOÃO DO RIO: OS SUPREMOS.

18 de JUNHO (QUARTA-FEIRA)

MANHÃ

9:30 – 10:00

FERNANDO FÁBIO FIORESE FURTADO

QUANDO O CORPO TRANSTORNA O CORPUS:

SOBRE AS (DES)FIGURAÇÕES DO CORPO NA POESIA

DE AUGUSTO DOS ANJOS.

10:00 – 10:30

STELLA MARIA FERREIRA

A CIRCUNFERÊNCIA DA GENIALIDADE DE ENRIQUE GÓMEZ CARRILLO NA PARCERIA COM OSCAR WILDE.

10:30 - 11:00

CIDA DONATO

A PARCERIA ENTRE CHIQUINHA GONZAGA E ANACLETO DE MEDEIROS E O NASCIMENTO DE UMA ESTÉTICA MUSICAL BRASILEIRA. .

11:00 - 11:30

RODRIGO DA COSTA ARAUJO

FLORBELA ESPANCA E CAIO FERNANDO ABREU: CARTAS, MÁSCARAS, TRANSGRESSÃO.

11:30 - 12:00

LATUF ISAIAS MUCCI

FULGOR E FUROR EM SALOMÉ, MITO DECADENTISTA PAR EXCELLENCE.

 

19 de JUNHO (QUintA-FEIRa)

MANHÃ

9:30 – 10:00

ROGÉRIO LIMA

SIM E NÃO. SIM-NÃO. JOGOU GRANDE, ATIROU ALTO E LARGO, ENQUANTO OUTROS JOGAVAM AS REGRAS APENAS VIGENTES.

10:00 – 10:30

CINTHYA COSTA SANTOS

"EU ESTILHAÇADO EM 'A ÚLTIMA QUIMERA' ”

10:30 - 11:00

ISABELLA BOTTINO / MARCOS ROMA SANTA

AS NINFAS DOS PÉS DE BARRO: IMPRESSIONISMO E EXPRESSIONISMO EM PROUST E EM VISCONTI.

11:00 - 11:30

ELIS CROKIDAKIS

O ENCONTRO COM O DISCURSO DECADENTISTA NAS LACUNAS DA NARRATIVA MODERNA DE JOSÉ GERALDO VIEIRA, ONDE A OBRA DE ARTE É ARMA EM PUNHO NA FUGA DA VULGARIDADE DO COTIDIANO.

11:30 - 12:00

CAMILLO CAVALCANTI

ALPHONSUS DE GUIMARAENS: PARCERIAS TEXTUAIS.

 

12:00 - 14:00 – Pausa

Tarde

 

14:00 - 14:30

FRED GÓES

CARNAVAL E ELEGÂNCIA NO BINÓCULO DE FIGUEIREDO PIMENTEL.

14:30 - 15:00

MARILUCI GUBERMAN

RUBÉN DARÍO, UM “HIEROFANTE OLÍMPICO”?

15:00 - 15:30

MARCUS SALGADO

MERCÚRIO EM TRAJE DE GALA PARA BAILE DE MÁSCARAS.

15:30 - 16:00

FERNANDO MONTEIRO DE BARROS

RESSONÂNCIAS BAUDELAIRIANAS NA POESIA DECADENTISTA: EMILIANO PERNETA

16:00 - 16:30

LUIZ EDMUNDO B. COUTINHO

PARCERIAS DO DECADENTISMO NA BELLE ÉPOQUE CARIOCA.

 

 

RESUMOS

 

CAMILLO CAVALCANTI

ALPHONSUS DE GUIMARAENS: PARCERIAS TEXTUAIS .

O trabalho trará informações sobre os meios impressos (principalmente Gazeta de Notícias ) que contribuíram, no início, para a recepção positiva ou negativa do poeta, bem como os círculos intelectuais (principalmente Vila Kyrial) por que ele passou. Dar-se-á ênfase à publicação de seus poemas, através dos quais o leitor mais comum pôde traçar, no fim-de-século (principalmente de 1892 a 1898), um perfil para o poeta, entre fatos e devaneios.

 

CIDA DONATO (UNESA)

A PARCERIA ENTRE CHIQUINHA GONZAGA

E ANACLETO DE MEDEIROS E O NASCIMENTO

DE UMA ESTÉTICA MUSICAL BRASILEIRA. .

No Final do século XIX e o início do XX o Rio de Janeiro via-se partido e esteado em pilares que se dividiam entre a burguesia capitalista e a massa de habitantes pobres — em sua maioria, negros, mestiços e judeus. Apesar de todo o seu brilhantismo, a Belle Époque carioca não conseguiu excluir das suas cenas as contrações obscenas, as quais colocaram em foco os movimentos das margens; movimentos estes que influenciaram, consideravelmente, as digitais da cultura brasileira. É nesse contexto, de pólos antagônicos e esferas híbridas, que insurgiu uma das vozes mais subversivas da arte nacional: Chiquinha Gonzaga. Pertencente às duas classes mais discriminadas de seu tempo, mulher e mestiça, Chiquinha levantou-se contra o autoritarismo masculino e os discursos sectários, defendendo, veementemente, as suas idéias e abraçando as suas paixões: a música e seus amores. Em sua eloqüência poética, subverteu a moral burguesa e encarnou a verdadeira essência do signo dândi, firmando parcerias que foram fundamentais para a definição da estética da música brasileira, dentre elas a estabelecida com Anacleto de Medeiros, um dos maiores responsáveis pelo 'abrasileiramento' da música desse período.

 

CINTHYA COSTA SANTOS (UnB) .

" EU ESTILHAÇADO EM 'A ÚLTIMA QUIMERA'".

Poeta de um livro só, apelidado Dr. Tristeza, Augusto dos Anjos é personagem central da trama narrativa desenvolvida por Ana Miranda em A última quimera. O romance - montado a partir de cartas, versos, textos de jornais e críticas literárias- é um mosaico de dados biográficos, literários e críticos perpassados pelo lastro da imaginação ficcional. Situado na fronteira entre literatura e biografia, delineia a imagem do poeta de fim-de-século, influenciado pelas teorias de Haeckel e de Spencer, pela filosofia pessimista de Schopenhauer, pela beleza mórbida de Baudelaire e a adesão ao visionário de Rimbaud. A tentativa de criar um perfil do

poeta esbarra com os diferentes veios discursivos que sustentam a estrutura romanesca e compõem um personagem multifacetado que resiste a rótulos e a

catalogações. Última quimera rechaça a pura representação e dialoga criticamente com a história da literatura ao apontar, de modo metaficcional e autoconsciente, para o caráter intertextual imanente a todo texto literário.

 

ELAINE DE ALMEIDA (UFRJ) .

VISÕES DE AMÉRICA, CORAÇÃO DE ESPANHA-.

AS DUAS FACES DE UM POETA.

O presente trabalho tem como objetivo traçar pequeno percurso sobre a obra literária do poeta nicaragüense

Rubén Darío, a partir da análise do poema “Letanías del Señor Don Quijote”, no livro Cantos de Vida y Esperanza (1905), obra que marca o início de um novo ciclo na trajetória poética de Darío. Nosso principal enfoque será fazer contraste entre dois lados da poesia rubendariana: a busca pela americanidade – que então será nova tendência em seu trabalho – e, por outro lado, o apego às tradições e valores da Espanha, marcados neste poema através da exaltação à figura de Dom Quixote, maior ícone da literatura espanhola. Através de diversas produções, como “Cosas del Cid” e “Cyrano em España”, vemos que apesar de profunda busca pela americanidade, o poeta manifesta constante vinculação com Espanha, como comprovado no famoso verso de “Los Cisnes”: “Soy um hijo de América, soy um nieto de España”. Graças a uma faceta tanto épica quanto lírica, Darío demonstrará seu amor às terras e às gentes da América e Espanha, exaltando sua natureza indígena, bem como exuberante espírito espanhol.

 

ELIS CROKIDAKIS (UNESA)

O ENCONTRO COM O DISCURSO DECADENTISTA

NAS LACUNAS DA NARRATIVA MODERNA DE JOSÉ GERALDO VIEIRA,ONDE A OBRA DE ARTE É ARMA EM PUNHO NA FUGA DA VULGARIDADE DO COTIDIANO.

Nesse texto mostraremos como José Geraldo Vieira em "A túnica e os dados" e outras obras recorre a mais um elemento da estética decadentista; a utilização de obras de representação pictórica na construção do imaginário narrativo; seja através de novos artistas e suas criações ou apenas conduzindo o leitor a uma imagem já pré-concebida pelo narrador e não pelo leitor através de sua recepção.

 

FERNANDO FÁBIO FIORESE FURTADO (UFJF)

QUANDO O CORPO TRANSTORNA O CORPUS:

SOBRE AS (DES)FIGURAÇÕES DO CORPO

NA POESIA DE AUGUSTO DOS ANJOS .

Pode-se dizer que, ao longo do processo poético brasileiro até Augusto dos Anjos, quase sempre o poeta ocultou o homem. Talvez por isso mesmo - mas não só por isso - é que, na obra do poeta paraibano, o homem aparece de maneira tão escandalosa, a exibir seus intestinos, seu cuspo, sua lepra, seu sexo, sua miséria. E também, talvez por isso, o próprio poeta que o exibe não o aceita." A partir das palavras de Ferreira Gullar no já clássico ensaio "Augusto dos Anjos ou vida e morte nordestina", pretende-se investigar as figurações desfiguradas e as desfigurações figuradas pelo autor do "Eu" em torno do corpo humano, considerando a agonística deste diante da realidade dessacralizada pelo cientificismo oitocentista e dos monstros e "freaks" engendrados pela sociedade urbano-industrial de princípios do século XX.

 

FERNANDO MONTEIRO DE BARROS (UERJ)

RESSONÂNCIAS BAUDELAIRIANAS

NA POESIA DECADENTISTA: EMILIANO PERNETA.

Dentro do cenário finissecular da poesia dezenovesca do Brasil, a rubrica decadentista recobre Emiliano Perneta (1866-1921), poeta paranaense, amigo de Cruz e Sousa e Gonzaga Duque. “Nevrosado” e “histérico”, segundo Andrade Muricy, “refinado”, “artificial”, “extravagante” e “cosmopolita”, segundo Nestor Vítor, “a sua decadência era um estado de espírito curiosamente intencional” e sua poesia vincada de “demonismo à Baudelaire” e “ritualismos nefelibatas”, apresentando, em Ilusão (1911), as “marcas de um decadentismo radical”. A chancela mor de Charles Baudelaire, patriarca do esteticismo e da transgressão “decadentes”, dita a clave apache, flâneur e dândi de seus versos sinestésicos e saturninos, em ressonâncias especulares de afetações e provocações.

 

FLORA DE PAOLI FARIA (UFRJ)

MARIO PRAZ E ALEXANDRE EULÁLIO :

PARCERIAS TEXTUAIS DECADENTISTAS

E O NOVO ENSAIO CRÍTICO NA ITÁLIA E NO BRASIL.

O trabalho objetiva divulgar os resultados parciais de pesquisa, financiada pela Fundação Biblioteca Nacional, dedicada ao exame da produção dos ensaístas Mario Praz e Alexandre Eulálio e de suas singulares incursões no campo da ensaística, com especial atenção para a questão da estética decadentista como instrumento precursor de novos procedimentos críticos, característicos da nossa contemporaneidade e a complexidade dos saberes defendida por Edgar Morin.

 

FRED GÓES (UFRJ)

CARNAVAL E ELEGÂNCIA

NO BINÓCULO DE FIGUEIREDO PIMENTEL .

Alberto Figueiredo Pimentel (1869-1914) é personagem destacado na cena Belle Époque carioca. Poeta, romancista, escritor de literatura infantil, ganhou destaque e permaneceu nos compêndios da história literária, no entanto, por ser o autor da máxima “o Rio civiliza-se”. O slogan, lançado em 1904, na Gazeta de Notícias , ganha dimensão de a palavra de ordem do reformismo conservador que provoca mudanças na urbe carioca,  interferindo em hábitos e costumes de seus habitantes. A comunicação terá como foco a coluna Binóculo , assinada pelo autor, identificado como o primeiro cronista social da capital. Era ele quem ditava as novidades da moda, do bom gosto, do chic em voga em Paris e que deveria ser aqui aclimatado. O corpus trabalhado está circunscrito nas crônicas editadas no período carnavalesco, entre os anos de 1907 e 1910, no jornal citado.

 

GEYSA SILVA (UNINCOR)

POSE E ARTIFÍCIO

NUMA ANGRA QUE O TEMPO LEVOU.

Pretende-se apresentar a análise do retrato de Tharsilla Carvalho da Fonseca, feita por Sylvestre Vaz e incluída no livro Angra que o tempo levou, de Miguel Assad. Poder-se-ia dizer que essa é uma obra “ à rebours ” da Salomé, de Gustave Moreau. Não existe explosão de cores, o corpo não está coberto por pedrarias; estamos distante da encenação de uma sensualidade fatal e de sua vitória. Sylvestre Vaz realiza o negativo disso tudo e consegue colocar na foto uma aura de erotismo discreto, não encontrado nem em outras fotos de casamento do mesmo livro. Sua arte aproveita-se da parceria com Moreau para subvertê-la e produzir uma obra original. Numa cidade que vivia o início do século XX segundo os padrões do século XIX, a foto de Tharcilla é um transtorno, uma quebra na sequência de seu redor. A verdade é que Sylvestre traz para o retrato as técnicas de pintura do fin-de-siécle , lançando mão de arabescos sintáticos e de uma pose premeditada. A harmonia dos elementos constituintes do trabalho é gerada pela escolha cuidadosa que precedeu o instante do click, pois tudo parece ter sido ensaiado, teatralizado e uma das rubricas do decadentismo é a teatralização, confirmando o pensamento de Barthes, para quem a fotografia é da mesma natureza do teatro.

 

HILARIO ANTONIO AMARAL (UNESP)

ECOS DA GERAÇÃO BEAT

NA OBRA DE PIER VITTORIO TONDELLI .

Pier Vittorio Tondelli (1955/91) explorou como poucos, ou tantos, os tênues limites entre realidade e ficção. É fato que sua obra revela um grande apreço pelos autores norte-americanos denominados The beats . Os temas da viagem, da descoberta, da estrada que vai longe, do diverso, do diferente, do ir (e também, por que não, do voltar, de vez em quando) predominam em seus romances. O primeiro Altri libertini (1980), publicado pela tradicional e esperta Feltrinelli, foi retirado das prateleiras italianas sob acusação de obra obscena. Felizmente, a justiça, pressionada pela indignação geral, retirou a própria venda e revogou a proibição da venda do livro. Já Camere separate (1991), autobiográfico além do umbigo, confirma seu desejo de dar voz aos malvistos e àqueles que nada mais querem senão registrar suas alegrias, tristezas e morrer em paz.

ISABELLA BOTTINO (UFRJ)

e MARCOS ROMA SANTA (UFRJ)

AS NINFAS DOS PÉS DE BARRO:

IMPRESSIONISMO E EXPRESSIONISMO

EM PROUST E EM VISCONTI.

Os estudos proustianos, invariavelmente, consideram a importância da filiação da Recherche ao Impressionismo. Com efeito, a construção da subjetividade poética no romance confirma tal linhagem, pelo próprio movimento de refração do eu proustiano, construtor de miríades capturadas dos objetos observados. No entanto, para a efetiva construção poética almejada pelo Narrador, que se estabelecem, a saber, a partir das negativas contra o Realismo e da desconstrução da escritura ornamentada dos Goncourt, desenha-se o narrar em estado de difração, num processo de atopia do sujeito, o que qualificaria uma escrita expressionista. Tal movimento é percebido, também, pela concepção fílmica elaborada por L. Visconti sobre o romance O leopardo, de Lampedusa. Portanto, a proposta que ora se apresenta diz respeito à análise do percurso que vai do Impressionismo ao Expressionismo, presente tanto na obra proustiana quanto no filme do diretor italiano, cumprindo, assim, uma parceria estética assinalada pelo próprio Visconti, em sua tentativa de filmagem da Recherche.

 

LATUF ISAIAS MUCCI (UFF/UNSA)

FULGOR E FUROR EM SALOMÉ,

MITO DECADENTISTA PAR EXCELLENCE .

No presente trabalho, operamos hipertextualmente, investigando, a partir da lenda bíblica de Salomé e de sua versão profana, no drama homônimo de Oscar Wilde, as figurações de Salomé no diálogo intersemiótico, travado pela literatura, pela pintura e pela ópera, em que fulgor e furor se misturam, configurando o mito decadentista par excellence.

 

LEILA MICCOLIS (UFRJ) .

MULHERES DA BELLE-ÉPOQUE

E SUAS PARCERIAS TEXTUAIS LYRIO-LÍRICAS.

Tendo como objeto a imprensa alternativa do início do século XX, o presente ensaio visa relacionar alguns aspectos das parcerias textuais contidas nos vinte números da revista O Lyrio, publicada entre 5 de novembro de 1902 a junho de 1904, um dos periódicos femininos mais importantes na época, não só por ser dirigido por Amélia Bevilácqua – uma mulher avant la lettre, inclusive a primeira a ousar candidatar-se à Academia Brasileira de Letras –, como também por reunir as principais escritoras da belle époque nacional.

 

LUCILA NOGUEIRA (UFPE)

PARCERIAS TEXTUAIS

EM JUDITH TEIXEIRA , FLORBELA ESPANCA, RAUL LEAL, ANTONIO BOTTO, FERNANDO PESSOA E MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO .

O Decadentismo em Portugal é simultâneo ao Modernismo. Em 1916, Luiz de Montalvor apresenta na Revista “Centauro” seu artigo “Tentativa de um ensaio sobre a decadência”, contemporâneo aos modernos da “Orpheu”, como Mário de Sá-Carneiro, e Judith Teixeira publicaria, em 1922, "Decadência", que seria apreendido assim como a "Sodoma Divinizada" de Raul Leal. E as "Canções" de António Botto, traduzidas ao inglês por Fernando Pessoa. As características de erotismo, sinestesia, requinte e fascínio pelo Oriente. Em sua poesia a transformam na maior Decadentista em Portugal, havendo editado três números da Revista "Europa", onde veio a publicar poemas de Florbela Espanca, sendo esta também representante feminina do Decadentismo/Simbolismo/Modernidade onde o corpo passa a integrar o enunciado da dicção poética.

 

LUIZ EDMUNDO BOUÇAS COUTINHO (UFRJ) .

PARCERIAS DO DECADENTISMO

NA BELLE ÉPOQUE CARIOCA.

Pretendemos analisar como Paulo Barreto e Elysio de Carvalho exerceram o eixo de parcerias textuais favorecedoras pela importância das influências do Decadentismo, no cenário da Belle Époque carioca. Marcadamente, eles refinaram correspondências ascensionais de refletirem certas temáticas teorizadas pelos decadentistas; associaram-se às instigantes aplicações sobre o repasse de uma encenação paralela, ao nortearem o ingresso de escritas nos domínios teatrais postulados pelo dandismo, como também no resgate de provocações acerca do paradoxo. Considerados como os primeiros brasileiros tradutores de Oscar Wilde, Paulo Barreto e Elysio de Carvalho procuraram viver e cintilar a originalidade das idéias wildianas, tendo encaminhado diversos comentários sobre o consagrado escritor pelo qual se mostraram verdadeiramente encantados.

 

LUIZ GASPARELLI JUNIOR (UFF) .

FULGURAÇÕES NATURALISTAS BRASILEIRAS

A PARTIR DO DECADENTISMO INGLÊS.

As marcas eróticas e decadentes do dândi Oscar Wilde (1854-1900), e o controverso romance atribuído a ele, Teleny, ou o reverso da medalha , são os leitmotives de nosso ensaio, que perpassa pelos signos produtores de uma visão muitas vezes revisitada por outros escritores, como o brasileiro Adolfo Caminha (1867-1897), em sua obra Bom Crioulo . Tanto a temática quanto a construção de espaços das obras lidam com significâncias de uma rede múltipla decadentista. O esteticismo, reproduzido em ambientes e vestimentas, e a degradação moral, nas ações, serão os signos desvelados para a tessitura, num percurso semiológico, do que podemos ler na produção de sentidos e contextos nas duas obras analisadas.

 

MARCUS SALGADO (UFRJ/UFF)

MERCÚRIO EM TRAJE DE GALA

PARA BAILE DE MÁSCARAS.

O objetivo de nossa investigação é analisar os procedimentos intertextuais agenciados pelo decadentismo finissecular, bem como o trânsito mercurial de tais procedimentos no interior da Belle Époque tropical. O ponto de partida é uma pista levantada por Mario Praz em The romantic agony , na qual o erudito italiano aponta para as afinidades de temperamento e a preferência conspícua por temas sádicos que ligavam autores da estética decadentista como Jean Lorrain, Remy de Gourmont, Marcel Schwob e Oscar Wilde. A partir da prospecção nas obras dos três primeiros autores citados por Praz, reiteramos e tentamos aprofundar verticalmente a pertinência desta aproximação. Finalmente, procuramos demonstrar em que medida autores da Belle Époque tropical (particularmente João do Rio e Elysio de Carvalho) se propuseram ao remake destes procedimentos intertextuais prenunciados pela literatura fin-de-siècle .

O objetivo de nossa investigação é analisar os procedimentos intertextuais agenciados pelo decadentismo finissecular, bem como o trânsito mercurial de tais procedimentos no interior da Belle Époque tropical. O ponto de partida é uma pista levantada por Mario Praz em The romantic agony , na qual o erudito italiano aponta para as afinidades de temperamento e a preferência conspícua por temas sádicos que ligava autores da estética decadentista como Jean Lorrain, Remy de Gourmont, Marcel Schwob e Oscar Wilde. A partir da prospecção nas obras dos três primeiros autores citados por Praz, reiteramos e tentamos aprofundar verticalmente a pertinência desta aproximação. Finalmente, procuramos demonstrar em que medida autores da Belle Époque tropical (particularmente João do Rio e Elysio de Carvalho) se propuseram ao remake destes procedimentos intertextuais prenunciados pela literatura fin-de-siècle .

 

MARILUCI GUBERMAN (UFRJ).

RUBÉN DARÍO, UM “HIEROFANTE OLÍMPICO”?

Discute-se neste estudo a obra do poeta nicaragüense Rubén Darío, criador do Modernismo na literatura hispano-americana, e o contexto cultural do século XIX e início do XX, em que ele se insere. Seu espírito crítico e sua admiração pelos decadentistas o aproxima aos escritores finisseculares , principalmente em Los Raros e Juicio s. Conheceu pessoalmente, através do escritor guatemalteco Enrique Gómez Carrillo, grandes nomes das Letras francesas, como Paul Verlaine e Arthur Rimbaud. Sua estética tem influência dos simbolistas e dos parnasianos, mas é através dos temas exóticos, aristocráticos e mórbidos que assimila o espírito decadentista.

 

MAURO PORRU (UFBA)

VISCONTI/ D'ANNUNZIO:

PARCERIAS TEXTUAIS EM “L'INNOCENTE”.

O presente trabalho objetiva efetuar uma análise contrastiva entre o texto literário de D'Annunzio, “L'Innocente”, e o texto fílmico de Visconti inspirado no mesmo livro. Nossa leitura procurará avaliar em que medida o diretor de cinema solicita do romancista  não apenas elementos temáticos para um mero exercício cinematográfico, no sentido prosaico ou imediato de uma adaptação da literatura para o cinema, mas sim em que proporção Visconti persegue, especularmente, como um par narrativo, a provocação de um estilo, cuja atmosfera deverá gerar uma nova criação no cinema.

 

RAFAEL MARIO IORIO FILHO (UFRJ)

OS REFLEXOS DE D'ANNUNZIO

EM JOÃO DO RIO: OS SUPREMOS.

O presente trabalho, inspirado no texto D'ANNUNZIO –“ O Supremo” de João do Rio, objetiva explicitar, através dos reflexos e auto-reflexos entre Brasil e Itália, João do Rio e Gabriele D'Annunzio, como o exemplo do supremo artista italiano e da história de sua nação possibilitam compreender o mito do Dandy-Narciso-Jovem-Esteta-Crítico como a afirmação da individualidade revolucionária frente a sociedade burguesa estática e puritana do fim do século XIX, não só no plano artístico, pessoal e literário de um artista-ator que vive a própria construção do artifício, mas também de como a mis en scène decadentista revolucionária se constrói em uma ação política de exaltação nacional, da pátria, da juventude, da vida na Itália e no Brasil.

 

RODRIGO DA COSTA ARAUJO (UFF/FAFIMA)

FLORBELA ESPANCA E CAIO FERNANDO ABREU:

CARTAS, MÁSCARAS, TRANSGRESSÃO.

Esta reflexão tem como foco principal o discurso epistolar de Florbela Espanca (1894-1930) e de Caio Fernando Abreu (1948-1996), buscando associar, através de uma leitura semiológica, a criação literária, o corpo, a escritura, o mascaramento dos dois escritores. Nesse sentido, equaciona as relações das cartas com o tempo, com o biografema, as estratégias de sedução, além do fingimento ou (re)presentação teatral feito a lição assimilada pelos artistas do decadentismo, que desejavam criar, mediante a arte, outro universo, paralelo ao real insípido em que viviam. Nesse jogo de referências autobiográficas, influxos do fin de siécle estampados nas cartas, esses escritores-estetas convertem a vida numa obra de arte, por outras palavras, oferecem a escritura à beleza, à harmonia de tons e linhas, à artificialização, ao elogio da maquillage e ao fingimento.

 

ROGÉRIO LIMA (UnB)

SIM E NÃO. SIM-NÃO. JOGOU GRANDE,

ATIROU ALTO E LARGO, ENQUANTO OUTROS JOGAVAM AS REGRAS APENAS VIGENTES.

“Se nós tivéssemos sempre a opinião da maioria, estaríamos ainda no Cro-magnon e não teríamos saído das cavernas. O que é preciso, portanto, é que cada qual respeite a opinião de qualquer, para que desse choque surja o esclarecimento do nosso destino, para própria felicidade da espécie humana.” Em um volume de crônicas escolhidas de Lima Barreto, organizado pelo Jornal Folha de São Paulo, prefaciado do João Antonio, deparamos-nos com a crônica intitulada a “A universidade”, publicada em feiras e mafuás no ano de 1920. Na referida crônica Lima Barreto externa sua visão pessimista da real necessidade de o governo criar uma universidade na cidade do Rio de Janeiro à época. Esse trabalho tem por objetivo fazer uma análise da percepção de utilidade da Universidade no Brasil dos anos 1920 que Lima Barreto tem coragem de externar na crônica carioca da época, deixando o leitor entrever a sua “alma de bandido tímido”.

 

SONIA CRISTINA REIS (UFRJ)

ALBERTO SAVINIO E SUAS PARCERIAS ESTÉTICAS:

O TEXTO LITERÁRIO E AS ARTES PLÁSTICAS.

A obra Souvenirs , publicada em 1945, que é constituída basicamente por ensaios que retratam a cidade de Paris antes e depois da primeira Grande Guerra Mundial, ainda pouco estuda, mereceu ultimamente por parte da crítica literária italiana uma retomada. Um dos traços mais expressivos desse texto ilustra a forte vinculação de seu autor, Alberto Savinio, com as artes plásticas, terreno muito freqüentado por ele e reforçado por seu irmão Giorgio De Chirico, um dos mais expressivos nomes da pintura metafísica.

 

STELLA MARIA FERREIRA (UFRJ) .

A CIRCUNFERÊNCIA DA GENIALIDADE

DE ENRIQUE GÓMEZ CARRILLO

NA PARCERIA COM OSCAR WILDE.

O presente trabalho passeia pelos contornos de alguns escritos de Enrique Gómez Carrillo que tramam um pacto inventivo com Oscar Wilde. O colorido exótico e o perfume de raros incensos das linhas produzidas pelo guatemalteco - resultado das significativas viagens ao longo da vida - encontram eco no elaborado bailado do texto wildiano. Pesquisador da mente humana, Carrillo forma um espetáculo de pureza e simplicidade em perfeita harmonia com o compromisso de Wilde para com o Belo. Corpus e corpo mergulham num jogo tão atraente quanto perigoso que entrelaça realidade e ficção em uma genial parceria. Os dois, amigos em vida, figuras de referência, oferecem até hoje um prazer inigualável com palavras de uma delícia cortante.

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