CAPRICÓRNIO (***)

Instala-se-lhe
o Inverno
na alma,
onde guardará
pela noite dentro,
entre silêncio
e frio,
a única semente
a resistir.
E cair-lhe-ão
os chifres da ganância,
pouco antes de ruir
o cume da montanha.
E no auge
de todas as mortes
será despojado
de importância
e de pertenças,
e assim o espírito,
revigorado,
sofrerá a predestinação
de encarnar
uma outra primavera.

Restará o tempo,
para apagar
o que sobrou da montanha
e para que se faça notar
a essência humana
(re)nascida na planície.

E o velho Capricórnio,
com corpo de bode,
cauda de peixe...
Apenas, terá o tempo,
de aceitar, que morreu.
(E que, como ele,
o capitalismo,
também, já sucumbiu.)

                               joão m. jacinto

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(***) Este poema foi ficcionado na entrada de Plutão no signo de Capricórnio. Transitou pela primeira vez, a 27 de Janeiro de 2008. O seu  movimento aparentemente retrógrado, fará com que a segunda entrada neste signo ocorra a partir de 28 de Novembro deste mesmo ano. Permanecerá nesta  zona do Zodíaco até 2024. A última vez que Plutão transitou por Capricórnio ocorreu entre 1762 e  1778.