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UM NOVO ANO NOVO
Estamos antecipando o Ano Novo em Blocos, não
por querer estar sempre adiante do nosso tempo, mas porque tiraremos
férias por quatro dias. Como primeira mensagem, fazemos nossas
as palavras poéticas de João Cabral de Melo Neto,
acreditando que o próximo ano há de ser muito
— Belo porque tem do novo
a surpresa e a alegria.
— Belo como a coisa nova
na prateleira então vazia.
— Como qualquer coisa nova
inaugurando o seu dia.
— Ou como um caderno novo
quando a gente o principia.
— E belo porque com o novo
todo velho contagia.
E, contagiados com o brotar desta nova floração, que
possamos nos maravilhar diariamente com a vida em 2004 — uma
vida mais digna, mais justa, mais lúcida, mais criativa,
mais prazeirosa, mais amorosa, mais serena, mais ética, e
mais poética.
Fevereiro 2004
O NOSSO BLOCOS
Fevereiro: mês do carnaval. Para Blocos,
que sai diariamente na rua exibindo seu estandarte – a nossa
cultura – todo o dia é de folia, de prosa e de poesia,
ao compasso de uma arte coletiva contagiante. De qualquer forma,
como o tempo é de sambas-enredos, bem que algum compositor
podia fazer um sobre a nossa poesia, desde os quinhentistas até
os holográficos, ambos cheios de efeitos especiais (os primeiros,
verbais, os segundos, espaciais).
Já pensaram que maravilha seria vermos tantas
alas, fantasiadas, vestidas, com as características de suas
épocas? Por exemplo: a ala de Gregório de Mattos,
apelidado de o Boca do Inferno, viria repleta de diabos, tridentes
e caldeirões gigantescos saindo fumaça... Na ala de
Gonçalves Dias, Iracema e todo o indianismo exuberante de
nossa terra e, naturalmente, com uma revoada de sabiás).
Na ala de Castro Alves, a saga da escravidão negra, com troncos,
os feitores, as senzalas, os orixás, as baianas... Na ala
de Alceu Wamosy, cenas da Guerra Farroupilha, em que o poeta foi
mortalmente ferido; na ala de Olavo Bilac, o universo cósmico
com suas estrelas, seus astros, suas constelações...
Na ala de Colombina, pierrôs, pierretes e arlequins, naturalmente...
Na ala dos modernistas, as diversas fases, acabando com João
Cabral e a seca, os retirantes, a Morte e vVda Severina... Na ala
cordelista, os grandes personagens folclóricos enfocados
pelos folhetos; na ala dos concretistas, o bailado das letras, no
espaço de cada carro, explorando a multiplicidade conotativiva
própria da poesia. Na ala dos alternativos, o papel da imprensa,
que resistiu culturalmente a um período de trevas, com charges,
música e humor; na ala ala dos virtuais, a era da informática,
com toda a (bendita) parafernália tecnológica... Os
holográficos, com canhões de raios lasers escrevendo
nos céus poemas fractais... Seria, enfim, um grande momento,
em que o povo entenderia melhor a história do Brasil e do
nosso universo, em versos...
Vamos esperar que um dia algum carnavalesco, sensível
e ousado, viaje neste tema e realize o desfile da Poesia Brasileira
na Avenida – não custa sonhar; mas, enquanto tal não
acontece, e no momento em que as escolas de samba esquentam suas
baterias para chegar até a Apoteose, vamos nós também,
aqui na nossa concentração, nos preparando para grandes
surpresas, guardadinhas para quando o carnaval passar...
Março 2004
Estamos comunicando oficialmente o que algumas
pessoas já sabem: Blocos está de mudança...
Estamos reformulando todo o site, introduzindo novas tecnologias,
revendo conceitos, crescendo, ampliando conteúdo, melhorando
o trabalho, enfim.
Não queremos nos adiantar muito neste momento,
até para que a surpresa das modificações surta
maior efeito, mas não podemos, também, deixar de começar
a falar nelas, porque, de início, toda implantação
de algum sistema, pode acarretar alguns problemas de ordem técnica
e precisamos recorrer ao chavão:
Até que as mudanças ocorram efetivamente,
queremos deixar um lembrete importante: não temos revisor...
Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de quem
os escreve. Revemos, todo o material, óbvio, porque queremos
o melhor em Blocos, mas este encargo é um carinho a mais
para nossos colaboradores; no entanto, o próprio autor da
prosa ou da poesia é o responsável não só
pelas idéias que veicula, como pela gramática do texto
que redige, também. Pedimos aos escritores, então,
que, ao enviarem seus trabalhos, os revisem primeiro, e só
remetam um único, para que não haja confusão
entre várias versões, acabando-se por publicar a que
ainda contém alguma falha ou algum trecho mudado posteriormente.
No mais, estamos muito felizes com toda esta reformulação,
com estas profundas mudanças estruturais, que vão
alavancar nosso trabalho, alegres com tudo o que estamos vivenciando:
este clima de pré-festa, já de euforia, que, em breve,
no máximo um mês (esperamos que antes mesmo deste prazo)
, estaremos repartindo com todos vocês.
Porque Blocos está de mudança...
e com muita mudança pela frente.
Os editores
Junho
Editorial do mês de junho: O ANTIGO E O NOVO
Este último mês tem sido de intenso trabalho, a fim de disponibilizarmos a nova fase de Blocos Online. Junto conosco, editores do site, há também Henrique Arraes, Leninha, Mônica Banderas, João Luiz Pacheco Mendes e Rosana Lobo, todos se desdobrando na alimentação do banco de dados, implantado por profissionais altamente especializados. Com este "mutirão cultural", poderemos, ainda neste mês de junho, apresentar já as principais mudanças estruturais, as quais se seguirão muitas outras, no decorrer do tempo. Este é apenas o início, mas, como sabiamente nos ensina a sabedoria oridental, dar-se o primeiro passo é tão difícil, que ele já representa quase metade do caminho.
Esta modernização e transformação inicial só foi possível pelo suporte que recebemos da Interamericana, na figura de Mauro Salles, poeta e jornalista, que nos ajudou em todos os momentos, e de todas as maneiras, inclusive com conselhos práticos, embasados em sua larga e premiada experiência de publicitário. O fato é que nos sentimos como que passando da era artesanal para a pós-industrial...
É preciso lembrar a todos que, de início, pode haver alguns pequenos problemas, como acontece com todo sistema novo. Solicitamos então a compreensão de nossos leitores e a cooperação solidária dos muitos amigos, para que as falhas sejam rapidamente sanadas e os ajustes imediatamente feitos. Comunique o que não funcionar. Qualquer sugestão construtiva contribuirá para o êxito do todo e de todos.
Do "velho" sistema guardaremos boas lembranças: as histórias de cada página feita manualmente, com muito amor, dedicação e noites em claro, o trabalho artesanal de todo esses oito anos de tecelagem. Agora, é seguirmos em frente adequando-nos à era do progresso, dos caminhos de acesso bem mais rápidos, das janelas muito mais velozes. Agradecemos emocionados, porém, todo esse tempo em que, mesmo lentamente, soubemos construir estradas e abrir portas...
Urhacy Faustino e Leila Míccolis - editores
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