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DISCURSO
DE POSSE DE ARNALDO NISKIER
NA SECRETARIA DE ESTADO DE CULTURA DO RIO DE JANEIRO
Rio, 08/01/04
“O sonho é o único direito
que não se pode proibir.” Lembro essa frase do cineasta
Gláuber Rocha, para iniciar as palavras de agradecimento
à Governadora Rosinha Garotinho. Ela confiou nos meus sonhos,
em relação à cultura fluminense, entregando-me
a Secretaria de Estado. Não lamentarei as prováveis
dificuldades que aguardam a trajetória. Prefiro colocar mãos
à obra, participando de um Governo comprometido com ações
transformadoras.
Fui o primeiro Secretário de Ciência
e Tecnologia do País (Governo Negrão de Lima), deixando
a herança de uma doutrina original e um planetário
na Gávea, hoje orgulho dos cariocas. Depois, por quatro anos,
ocupei a Secretaria de Estado de Educação e Cultura,
além da presidência da Funarj. Construí, com
uma admirável equipe, 88 escolas, dobrei o número
de cursos médios (de 104 para 208), concluí o período
do Governo Chagas Freitas com os salários dos professores
e especialistas substancialmente aumentados. Pagava-se o maior valor
por hora-aula do Brasil.
Homem comprometido com o fazer, trabalhador cultural,
como já fui chamado, realizei uma obra em matéria
de música, teatro, balé e ópera que mereceu
um inusitado editorial do “Jornal do Brasil”, bastante
econômico nesse tipo de reconhecimento, nos idos de 1983.
Por que tais lembranças? Não só
em razão do aquecimento da memória, mas para que se
registre a experiência e o entusiasmo com que inicio a minha
terceira incursão na vida pública do meu Estado, a
que servi igualmente como jornalista e professor, esta atividade
exercida por quase 40 anos na querida Universidade do Estado do
Rio de Janeiro.
Fundamento e expressão essencial de uma
política contemporânea voltada para o reconhecimento
da identidade cultural como questão de cidadania, patrimônio
e nacionalidade – geradora de pontos de trabalho e determinante
no aumento de renda e potencialidades – o diálogo entre
as diversas linguagens artísticas, a riqueza da diversidade
compartilhada, as influências étnicas, a tradição
e a renovação formam um referencial para o embasamento
de linhas de ação, a serem consubstanciadas através
de planos integrados de governo, programas prioritários e
projetos de impacto social, de amplo retorno.
Assim sendo, pretendemos organizar e operar a Secretaria
de Estado de Cultura, como agência moderna e ágil de
orientação, informação, fomento e incentivo
à atividade cultural do Estado, com profissionais capacitados
e integralmente voltados para os desafios de seus respectivos setores
– da cultura popular às manifestações
de vanguarda e inovação – requalificando o Estado
do Rio de Janeiro como capital cultural do país.
Para isso será necessário transformar
a Secretaria em instrumento hábil de identificação
de fontes não-orçamentárias de recursos e criar
mecanismos efetivos de gestão dos incentivos fiscais, em
consonância com os programas prioritários de Governo.
Pretendemos ainda, como uma das metas prioritárias,
dar fisionomia própria e ampliar, conservar, equipar e modernizar
os espaços culturais do Estado – museus, teatros, bibliotecas,
casas de cultura – atendendo às demandas identificadas,
ao perfil institucional e às especificidades das instalações
e dos acervos, de forma a contribuir para o êxito e a economia
de suas atividades, além de ampliar o atendimento e multiplicar
as oportunidades de participações e intercâmbio.
Para o alcance de nossos objetivos, consideramos
de grande importância associar a cultura às potencialidades
do turismo no Estado, promovendo iniciativas conjuntas que valorizem
nosso patrimônio e dêem rápidas respostas sócio-econômicas
às políticas públicas, em ambos os setores.
Também, nesse sentido, pretendemos desenvolver
estratégias de ação para consolidar o turismo
cultural e de patrimônio, em especial nas regiões que
possuem monumentos tombados, patrimônio de reconhecida importância
histórica e ciclos econômicos que representaram uma
determinada época de desenvolvimento, com suas respectivas
heranças sócio-culturais.
Durante o Seminário, foi reconhecido que o nosso Instituto
de Patrimônio Artístico e Cultural – INEPAC -
vem realizando um magnífico trabalho com este propósito
e que deve ser promovido e divulgado.
Vamos dar também continuidade, com total
apoio, ao trabalho que vem sendo realizado de interiorização
da ação cultural, incentivando a criação
de núcleos municipais de cultura nas Prefeituras, ativando
os pólos regionais de integração e interação,
de forma a criar bases sustentáveis para a execução
das políticas culturais do Estado, respeitando a diversidade,
valorizando as manifestações espontâneas e promovendo
iniciativas locais de reconhecido valor e tradição.
Considerando ser impossível falar de cultura
sem pensar em educação, ciência e tecnologia,
estreitar relações com as Secretarias de Educação
e de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado
do Rio de Janeiro, com vistas a aproveitar o potencial acadêmico
de Universidades, como a UERJ, UENF e UFRJ e os recursos das Fundações
de caráter técnico-científico, como a FAPERJ,
para criar e desenvolver programas de estudos e pesquisa, treinar
e aperfeiçoar pessoal e implementar projetos inovadores,
objetivando o incremento qualitativo da produção cultural
do Estado.
Vamos implantar um sistema integrado de bibliotecas
(públicas, escolares e privadas) voltado prioritariamente
para iniciativas de incentivo à leitura, criando um amplo
programa de informação sobre o escritor brasileiro
e sua obra, com a conjugação de diferentes meios,
inclusive virtuais, promovendo campanhas educativas, festivais de
literatura, concursos e prêmios literários.
Completaremos a rede de bibliotecas públicas,
construindo mais seis unidades e garantindo a renovação
do acervo, em íntima cooperação com a Biblioteca
Nacional. Como afirmava Monteiro Lobato, "vamos entupir o Rio
de Janeiro de livros – e todos de boa qualidade”.
Aliás, a esse respeito, vamos trabalhar
com a Academia Brasileira de Letras na defesa da língua portuguesa.
É sua obrigação estatutária, desde os
primeiros tempos de Machado de Assis e Joaquim Nabuco.
Pretendemos promover um amplo programa de reconhecimento,
identificação e valorização da Língua
Portuguesa no Brasil, nosso mais importante patrimônio cultural,
tornando o Estado do Rio de Janeiro sede e fórum de iniciativas
locais, regionais, nacionais e internacionais voltadas para a promoção
do idioma nacional, para a realização de estudos,
pesquisas, seminários, cursos, documentações
e publicações, campanhas e demais realizações
que concorram para o êxito da proposta, também com
a imprescindível colaboração da Academia Brasileira
de Letras.
O Governo do Rio de Janeiro dará as mãos
à Casa de Machado de Assis para prosseguir com a iniciativa,
de grande sucesso, do Governo Anthony Garotinho, de promoção
do Concurso de Jovens Talentos, incentivando a descoberta de valores
para a nossa literatura. A Imprensa Oficial continuará como
nossa parceira neste importante programa.
Queremos ainda prestar uma grande homenagem à
escritora Rachel de Queiroz, recentemente falecida. Instituiremos
o GRANDE PRÊMIO DE LITERATURA RACHEL DE QUEIROZ, uma espécie
de Oscar para escritores brasileiros, com um prêmio altamente
expressivo, concedido no dia 17 de novembro de cada ano (data do
aniversário da escritora e acadêmica).
Reconhecemos a importância e vamos valorizar
também a nossa Música Popular Brasileira como grande
vetor de integração e interação nacional,
apoiando e multiplicando oportunidades de pesquisa, tratamento e
preservação de acervos, incremento da produção
cultural, acesso aos meios de comunicação, difusão
de informações e ação educativa voltada
para a divulgação e o ensino da MPB nas escolas.
A nossa música popular será de imediato
aquinhoada com o “Projeto Fim de Tarde”, no Teatro João
Caetano e reviveremos o “Circuito Universitário”,
e os Festivais Estudantis de Música e de Teatro.
Daremos atenção especial à Escola de Teatro
Martins Pena, necessitando de obras, e à Escola Villa-Lobos,
inclusive com a criação da Orquestra Sinfônica
Jovem. Também incentivaremos as propostas de formação
de corais, com o projeto “Vozes do Rio de Janeiro”,
em fase de implantação em vários municípios
do interior do Estado.
Vamos estabelecer intercâmbio produtivo
e constante com o esporte, considerando que Esporte é Cultura,
com forte apoio aos Jogos Panamericanos de 2007, participação
no planejamento e na realização de produções
culturais para os eventos esportivos, informação cultural
sobre o esporte, organização de exposições,
e demais propostas que respaldem e complementem as atividades esportivas,
principalmente junto ao público jovem. Não podemos
esquecer do Museu do Futebol, no Maracanã, que deverá
funcionar com total colaboração da nossa Secretaria.
Quanto ao Cinema, além da ampliação
do acesso da população de baixa renda, com ingressos
incentivados, e da implantação de novas salas em vários
municípios, pretendemos criar uma agência de distribuição
para o filme documentário realizado no país, bem assim
programas específicos de apoio e fomento para produções
no gênero, tornando o Estado do Rio de Janeiro um verdadeiro
pólo de produção e promoção do
documentário nacional.
Como iniciativa pioneira, vamos planejar e implantar,
em Campos, com recursos de última geração,
o Museu da Ciência, com a participação da Academia
Brasileira de Letras, que se manifestou disposta a ceder uma área
de sua propriedade no Solar da Baronesa. É um compromisso
que assumimos e que certamente também animará a nossa
Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia, que poderá
desenvolver, na região, um amplo programa de informação
e documentação científica e tecnológica.
Nessa imensa área pretendemos ainda criar o Museu de Arte
Sacra, de modelo semelhante ao de Salvador (Bahia).
Ninguém duvida do amor do Rio de Janeiro
ao Carnaval. Os estrangeiros consideram o desfile das Escolas de
Samba, na Marquês de Sapucaí, como o maior espetáculo
do mundo. Merece, pois, a criação de um grande Museu
do Carnaval, em bases virtuais, antecipando a museologia do futuro.
Este Museu será instalado, se possível, na Estação
da Leopoldina, que tem espaço e posição estratégica
de acesso.
Como iniciativa de absoluta necessidade, reativaremos
o Conselho Estadual de Cultura. É um órgão
normativo de altíssima importância. Assim como desejamos
colaborar na programação da Rádio Roquette
Pinto e, se possível, com a TV Educativa, do Governo Federal,
que poderia estabelecer uma sinergia de primeira ordem com as nossas
atividades.
Quero ainda me referir a uma vertente fundamental,
em nossas atividades. Penso em buscar parcerias com instituições
que entendam a sua responsabilidade social também pelo lado
de valorização da cultura. Já são muitas,
de grande porte, e elas serão o nosso alvo preferencial.
E como existe uma atração magnética
entre os que têm o mesmo pensamento, fazemos aqui uma referência
oportuna às atividades do SESC, particularmente no setor
cultural. Faremos um convênio com a sua diretoria, para ampliar
a assistência aos trabalhadores do nosso Estado.
É uma ação ampla, irradiada,
que, somada às iniciativas harmônicas do Governo do
Estado, poderá dar uma inédita cobertura de atividades
culturais ao Rio de Janeiro. Essa é a nossa esperança,
no objetivo que iremos perseguir, certamente com a colaboração
de todos.
Agradecemos ao próprio Secretário de Cultura o acesso
e a liberação deste material (foto e texto). |
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