BRAZIL - 500 ANOS DE BRASIL

    Direis, ó Caminha:
    "... Pois muitas vezes mais cruel é o contar do que o acontecido."

    Ora que foi! Pois, pois!
    Cá estamos livres no refletir, no furtar e no roubar.
    Especialistas em verbos penais. Aos ricos sem penas anais.

    Ora que são! Ladrão, ladrão!
    Cá estamos Senhor do Bonfim, à sua vontade coronel. Sim, sim.
    Especialistas em queda-de-braço. Aos ignorantes da merda o pedaço.

    Ora que não! Escravidão, escravidão!
    Cá estamos na infância do jardim, ao primeiro grau por gentileza, enfim.
    Especialistas em política de fome. Por seu voto um pão, tome.

    Ora que virão! Irmão, irmão!
    Cá estamos senhor 500 anos, Deus é pai, amém, ai, ai.
    Especialistas em rezar da esperança. Saravá, em eterna aliança.

    Ora que sim! Pobre de mim!
    Cá estamos novamente ao mar, tudo de novo, onze naus a navegar.
    Especialistas em descobrimento, descubra-nos, nova o momento.

    Ora que caminha! Falas ó Caminha:
    Cá estou meu rei, falo, falo por tudo que sei.
    Especialistas em nudez, tetas, em bundas, vivendo em fugaz surdez.

    Direis, ó Caminha:
    "... Não posso dizer se é ilha sem ver o coração, nem sim, nem não."
     

                     
    17.4.2000
                     
                     
                     
                     
            PSIQUIATRA, PORQUE ME UFANO DO MEU PAÍS

            Auriverde pendão da outra terra
            que a ventania varrerá outro dia

            Aí, como é lindo aquele país!

            O nosso já teve o diagnóstico da
            psiquiatria em forma de poesia
            É o poeta alienado que é feliz
            cantando coisas que sempre quis

            Um, dois, três, quatro, cinco, mil
            Pátria amada do coronel e rei senil
            de peito aberto a fome ninguém aguenta
            jogaram-nos fora e criaram a placenta

            Aí, como é lindo aquele país!

            Se o médico receita um placebo
            o advogado faz do livro um sebo
            Todos pensam que a justiça alimenta
            enquanto ela do juiz é uma jumenta

            O poeta canta o que sempre quis
            e a moça faceira se faz de tonta
            O povo burro continua pagando a conta
            e ao final canta rebolando que é feliz

            Aí, com é lindo aquele país!

            Não vou me mudar para aquele lugar
            Lá o vento forte varrerá outro dia
            não restará pedra sobre pedra
            é a natureza brava sem poesia

            Aqui tem mar, campo e futebol
            muita praia e bunda sob o sol
            Lá tem neve, borrasca e tufão
            Safadeza, lá também se mete a mão

            Aí como é lindo o meu país!
            O ufanismo é tanto que penso
            Que sou feliz!
             

                     

                    Douglas Mondo
                     

    Enviado por: Eliane Malpighi