Brasil                            (500  Anos)
     
    Meu solo um dia foi tomado ,
    foi explorado,  sacrificado,
    seduziram  meu povo, seviciaram
    por séculos ,cortaram minhas matas,
    poluíram meus rios,
    arranharam meu solo fundamente,
    senti dores  terríveis, sinto ainda .
    Meu céu chora lágrimas de chuva
    que  vertem sobre meu corpo,
    procurando lavar  meus ferimentos,
    Lamentos,
    Tormentos.
     

    Eu  não sou português,  eu  não sou negro,
    não sou índio,  emigrante  ou estrangeiro.
    Eu sou eu,  sangue nobre, lutador,
    sonhador, visionário e bom guerreiro;
    — braço forte, eu   bem  sei do meu valor —
    tenho sido amarrado   no dinheiro
    mas minha mente cresce  e se estremece,
    meu peito   com valor de brasileiro.
     

    Bendito o pé que aqui pisou e aqui
    ergueu sua casa e dá do seu suor
    as gotas que fecundam este solo.
    Se tem  origem,
    não tem cores estrangeiras,
    não são brancas, amarelas, pretas , ruivas,
    são  o  verd -amarelo ,
    na  pureza do céu de anil ;
    do  meu sangue  formou seu alimento
    e da minh  água o seu encantamento.
    Do que eu sou, cada um compõem comigo
    e comigo contribui
    para que eu seja  forte e seja  amigo,
    Sou  Brasil
     

    Eu quero ter respeito, eu sou nação ,
    não quero parasitas  no meu corpo,
    não quero que me cortem, me  desnudem,
    eu sou o alimento do faminto,
    eu mato a sede  do que me  procura,
    mas não rompam-me a carne  sem compô-la ,
    não destruam a mata que me cobre,
    não sequem os meus rios caudalosos,
    nem quero que me explorem sem razão.

    Não quero a mão estranha me explorando ,
    nem quero bocas  parasitas, torpes,
    sugando a minha seiva.
    Eu quero ser global neste planeta
    mas não escravo.
    Aqueles que procuram meus tesouros
    venham morar aqui,
    produzam benefícios,
    não levem as riquezas que possuo
    no furto legal ,
    deixando minha gente na pobreza ,
    sem senso de moral .
     

    Eu sou eu mesmo e cresço  e me agiganto,
    meu povo, brasileiro , é bravo e forte,
    meus rios, o meu solo,  minhas matas,
    os meus desertos e minhas cascatas,
    são dádivas de  Deus
    e estou a proteger, c’o céu  por manto
    quem puro e lutador vier lutar
    para crescer comigo e os filhos meus. 

    Fahed  Daher
    23-08-99 (18:45 horas)
    ______
    Da Academia de Letras de Londrina- Centro de Letras do Paraná e da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores (SOBRAMES)