![]() |
![]() |
JESUS
Meu Jesus, há dois mil anos, um dia
A humanidade pérfida e exaltada
Te condenou à morte e a cruz pesada
Aos ombros carregaste – Que agonia!
Quero parar com esta roda-da-fortuna,
que me é tão lenta, num ranger de pesada.
Quero viver na simplicidade de uma história,
abundante de afectos, não forçados, sem dor,
com as fadas da minha memória,
num lugar longuínquo de tempo,
onde possa inspirar a refrescante brisa,
e descansar num lençol de areia,
beijado pelo mar espumando a sal,
lavando-me de azul e algas,
numa tarde de final feliz.
Sem ter no medo,
a passagem ao relento,
sob o bréu de uma noite,
despida de estrelas e Luar,
para o finito e ilumidado dia.
Não sou o Principal,
mas o duplo de confundíveis identidades,
com argumentos falidos de diálogo,
rico de cores nítidas de vida,
sentado no branco da minha paz,
nos cenários paradisíacos das promessas e dos sonhos idealizados...
No desentendimento de mim,
contraceno com o abandono austéro do interesse
e acabo esmagado por uma plateia de amadores expectantes.
Ainda presa, no palco dos fanáticos e traidores reinantes,
ofegantemente respiro por um fio,
faltando-me a navalha da coragem...
Caia o pano, que finde de vez esta última ceia.João Jacinto