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1. A CONDENAÇÃO
Não foi bem a coroa dos espinhos,
nem seu corpo sangrando flagelado,
nem os ímpios deboches escaininhos,
a dor maior do Cristo condenado!Fomos nós que, medrosos e mesquinhos,
fomos nós que o deixamos desamado!
— Forjando mil razões pelos caminhos,
ninguém de nós estava do seu lado!Que, nós, imitadores de Pilatos,
lavamos nossas mãos perante os atos
que deviam ter o nosso não!Deixando-nos levar pelo terror
de sermos responsáveis, demos dor
e fomos os arautos da omissão.
O SIGNO DA CRUZ
O machado golpeia o tronco augusto,
As pancadas reboam pela serra.
E, trêmulo da dor, range de susto,
e o cedro vacilante cai por terra.A lâmina debasta o pau robusto.
O tronco é dividido. O cravo ferra
a união das travas sob o encaixe justo
e surge a cruz, que signo-dor encerra.O signo-dor da Cruz! O horror-delírio
de Cristo a carregá-la em seu martírio
por ruas e por becos ante o povo...Ah, o signo-dor, que ao receber Jesus
martirizado, e no entretanto, luz,
se torna signo-amor, e vive novo.Eno Teodoro Wanke
Do "livrote": Via Dolorosa, Edições Plaquete, 7ª ed., 1987, RJ