POESIA PARA MUDAR O MUNDO - 2013 - BLOCOS ONLINE
Teresa Vignoli
TERESA VIGNOLI – Teresa Vignoli, mais conhecida por Teca, é carioca, já morou em Sampa, em Brasília, e agora está em Campinas. É psicoterapeuta desde 1980, já foi professora, e, além da prática psicoterápica, coordena oficinas de escrita criativa em encontros de psicologia, educação e criatividade. Teca participou da geração mimeógrafo, na década de 70, quando entrou para a UFRJ, no curso de psicologia. Com amigos dessa época participou da coletânea Pa lavra (1973) e de vários recitais e encontros de arte e poesia, na universidade e fora dela. Em 1976, editou com os poetas Joel Macedo e Pedro Pellegrino, o livro "Alambique". Publicou poesias em revistas, entre elas a revista "Quaternio", editada pelo Grupo de Estudos Carl Gustav Jung e organizada por Nise da Silveira. Em 1977, quando morou em São Paulo, participou da coletânea editada por Ulisses Tavares, "Pega Gente". Mudou-se para Brasília em 1978, onde ligou-se fortemente aos grupos de artistas da cidade. Participou da coletânea "Po rr etas", nas edições de 1978 e de 1980, com poetas da cidade, entre eles Nicolas Behr, Tetê Catalão e Cassiano Nunes. Em 1986, editou "Asa Verso", uma parceria com o artista Rômulo Pinto Andrade, que fez o projeto visual, a capa e as ilustrações do livro. Desde o final de 1986 mora em Campinas, onde viveu intensamente a poesia de acolher e criar seus dois filhos, e vive, todo dia, a poesia do encontro terapêutico. Lecionou no curso de especialização em Arteterapia da Universidade São Marcos e realizou oficinas poéticas com professores da rede pública de ensino e com alunos de graduação em psicologia e de cursos de especialização em psicologia clínica. Em 1999, escreveu o livro de poemas "Chama Verbo", em parceria com a poeta Silma Coimbra Mendes, publicação da editora Komedi. Atualmente publica suas poesias e outros escritos no caderno virtual folhas.de/teca.

a vida
espera,
silente.

a vida
pede
semente.

novas flores,
novos tempos,

urgente.

Manhã gelada - ao pássaro sem nome

Um canto sem corpo rasga a manhã,
um canto sem dono abre o dia.

Um único pio

longo

ácido

atravessa miúdos pios
de outros pássaros.

O dia vibra, o dia vive.

Habito
por um instante
o lugar de onde nascem os voos.

Bendigo o dia.

asas

tanto quanto
a folha,
a terra sonha.

tanto quanto
o pássaro,
a formiga voa.

Teresa Vignoli
Capa
Créditos