Culto aos mistérios do passado
na vivência do mundo de agora

lembranças da encarnação no Sul da Índia (como Tamul Nadu) com reflexões místicas sobre sua vida atual
COLUNA QUINZENAL DE CLARISSE DE OLIVEIRA
autora do livro “Mistérios” (Ed. Europa)
Nº 20 - 23/10/2009
(próxima: 23/11/2009)

A MORTE E O ESPÍRITO


Rio Eterno entre Duas Margens

É a história de um rio que une as duas margens que continuam a olhar uma para a outra com distanciamento. Dois mundos que, apesar das pontes e dos cacilheiros, não se misturam.
A voz de Cláudia Dias é grave, agradável e bem colocada. A história é conhecida e triste. O espectáculo é importante e belo. Uma visita guiada ao coração de todas as margens que insistem em manter um rio de distância entre si.
Pesquiem no Google, a peça encenada em Portugal, de Claudia Dias, cuja história tem uma lógica de encadeamento muito própria. Fala dos mundos quotidianos que se transformavam em mundos com uma dimensão mais universal.
No fundo, a história de uma mulher que nasceu do lado de lá e que passa muito mais do que um rio quando quer unir-se aos do lado de cá.
Traz Rudolf Steiner do espaço, para a Terra, onde ele esteve.
A Terra apresenta-se como um cachorro: ele, o cão, não compreende as casas, as vidas dos homens. Nada é feito de acordo para um cachorro. Por exemplo, as necessidades físicas que o cão tem que fazer na rua, quando ele mora em um apartamento. A rua e o apartamento, não se coadunam.
O homem tem a lógica do Espiritual na Terra e no Espaço, recebe a Sentença: — você tem de reencarnar na Terra para Evoluir.
O Ser está inabitado no Espaço e inabitado na Terra. Na Terra, se ele, o homem, prestar atenção às pinturas das tumbas egipcias, verá que existe ali um esforço para equilibrar Espaço e Terra, viver ao mesmo tempo, Vida e Morte.
Parecem dois pontos, Pesados e Imateriais ao mesmo tempo. A múmia foi feita para ser eterna: quantas vezes o homem descer à Terra, contemplará a Eternidade de sua Morte; quantas vezes o homem chegar em Espirito ao Espaço, na região apropriada à sua Alma, relembrará seu Ciclo Terrestre.
Por entre essas duas margens, corre a Exigência do Aprefeiçoamento decretado por Deus.
Aonde irá esse rio, que molhará as patas do cachorro, quando o animal tiver que ir urinar e defecar na rua, fora do lugar onde ele habita?


flor de lótusflor de lótusflor de lótus

Limite entre o Céu e a Terra

Por mim, não há limite entre o Céu e a Terra.
O Céu está tanto acima da Terra, como abaixo dela; por isso, existem pessoas "esfaceladas". Aliás, todas as pessoas são "esfaceladas".
Quando aceitamos, concordando com nosso destino ao reencarnarmos, todos os nossos atos são medidos no Céu, enquanto vivermos na Terra.
No antigo Egito, o deus Anubis, com cabeça de cachorro, pesava em uma balança, tendo em um dos pratos, uma pena de pássaro, que significava Verdade, e no outro prato, o coração do morto. O coração, principal órgão para os egipcios, à medida que o morto desfilava seu comportamento na Terra, tinha que pesar exatamente como a Verdade, o mesmo peso da pluma no outro prato da balança: isso em Verdade não era na Morte, mas sim, o tempo todo durante a Vida na Terra.
Podemos imaginar que os pratos da Balança, são o Céu e a Terra, e constantemente isso é medido em nós, o tempo todo, e, de acordo com a medida, o Destino vai se modificando, para melhor ou para "mais complicado".
A Pluma da Verdade, está ansiosa para estabelecer a Verdade em nós, essa Compreensão magnífica que nos incorpora em Deus.
Mas, o Coração, responsável por nós, desafia a Misericórdia Divina. A Verdade não tem Piedade nem Misericórdia.
Quando Jesus curava um sofredor, Ele dizia: "Teus pecados foram perdoados: estás curado!" — nesse Sagrado Momento, os pratos da Balança, oscilavam...
O "Livro dos Mortos" do Antigo Egito, na verdade, é permanente. Nós não somos julgados após a Morte: nós somos julgados o tempo todo...
O deus Anúbis é responsavel por nós perante Deus; emanação divina, ele próprio, agindo constantemente, pode ter se transformado em um dos Arcanjos Católicos; mas seja qual for sua apresentação, nós estamos mortos, mesmo vivos. 
Seja qual for o Caldeirão do Inferno em que estamos metidos, podemos nos safar dele, uma vez que o caldeirão é material, estamos na "carne", e a Sinceridade do nosso Ser, tendo se diluído na Verdade, fará com que o Espirito Santo nos mostre outra feição que fará desaparecer até mesmo a çembrança que poderá perturbar o bem estar neste novo Estado Espiritual.

 

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Imersão espiritual

Não se deve imaginar o Espírito. Porque se imagina o Espírito com o próprio Espírito.
É uma entrega doce, em que a respiração será a única intermediária entre Espírito e matéria.
As duas extremidades da respiração formam o campo do Espírito.
No Espírito, toda expansão é Espiritual.
Os batimentos cardíacos são um acompanhamento sonoro, uma música oca que ressoa no Espírito.
A abstração da matéria é vivência sem medida no imensurável Cosmos.


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Chitta - materia espiritual na doutrina yoga

Para o yogui, todos os embargos da matéria podem ser dominados ou manipulados à vontade.
Quem não percebe a realidade do espiritualé subjugado pelas obstruções do corpo humano.
A realidade do espiritual destroi a Ilusão da matéria  dos Planetas. Pela Iluminação não estamos mais embargados pela densidade da matéria.
Até uma Alma desencarnada pode permanecer na Ilusão da matéria. Ela pode atravessar uma parede, mas, se a Alma está muito presa à densidade da matéria, ela pensa que é matéria densa também e se ilude, não conseguindo ultrapassar a parede.
O poder do Espirito é tão grande que nada lhe faz frente.
Em um sonho, eu tentava pegar uma folha de papel e meus dedos ultrapassavam o papel. Se, em uma vida terrestre, se consegue poderes sobre a matéria a "realidade" é outra — aliás, "poderes" não é a palavra certa, pois "poder" é densidade e não espiritualidade; a Espiritualidade é um Estado em outra vibração, sendo que para um Espirito de grande pureza tudo o mais é designações e informações criadas, para esse Espírito. 
As experiências de uma encarnação passam a ser outro aspecto da matéria.
Uma pessoa se desabafa com outra, relatando preocupações que para a outra não têm nenhum sentido... Conforme o Destino de cada um, a matéria tem um aspecto que para o outro não representa a mesma coisa. 
Somos assim tão diferentes na matéria, devido principalmente ao que se pode denominar "karma", porque, sendo karma o destino de um, não tem o mesmo smentido para outro.
Buda chamou essa disparidade de "Ilusão".  Ilusão é olharmos para nós mesmos sob as atribulações, mas Chitta pode estar além e perto de tudo isso. 
O caminho errado é percorrer entre as atribulações pensando estarmos indo em direção ao Espírito. É mais lógico a "Inação" do que a Ação.  Qualquer Ação parte da mente. 
A Inação também parte da mente — quando é comandada pela mente. Mais tranquilo é deixar a matéria se esfacelar, Amando o Espírito, colocando o Coração como agente melhor do que a Mente. 
O Coração é poderoso — disso sabiam os EgÍpcios —, quando o classificaram Hati, subconsciente, IB, evolutivo. Eu confio mais no Hati, subconsciente, pois esse não raciocina, É.

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