Christina M. Herrmann  

Christina M. Herrmann é poeta, webdesigner. Carioca, vive atualmente na Alemanha. Comunidades no orkut: "Café Filosófico das Quatro", "Sociedade dos Pássaros-Poetas" ambas de entrevista e "Orkultural" em parceria com Blocos Online.
Endereço do Blog, reunindo todos os seus sites e comunidades: http://chrisherrmann.blogspot.com

Coluna 36 - 2 ª quinzena fevereiro
próxima coluna: 8/3/2007

POESIA, PESQUISA E CRÔNICA

Destaques desta edição:

Poesia (CF4): Antonio Carlos Rocha, Lenise Marques, Ricardo Carvalho, Paulo Martins Magalhães e Gilberto Maha

Pesquisa (Orkultural):
"O que você está lendo?" - Fernanda Araújo, Rosana, Roger, Nelio Coelho, Vera Lilian Batista, Fernando Machado, David Estanislau, Carol Ortiz, Ângela Maria Duarte, Vera Libório e Antonio Carlos Rocha

Crônica:
"Entre desencantos e compromissos: quantos a menos?", de Solange Firmino

***

SAUDADE

Antonio Carlos Rocha

Percebo no olhar o fluxo de saudade
Que já rolou pela face,
Mas agora, simplesmente goteja.
É fácil limpar com o lenço,
Virar o rosto,
Fugir do espelho.
Mas a ausência de alguém,
Do carinho, do abraço, do beijo,
É fonte que não seca.
O sangue português,
Lágrima nas veias,
Só a morte contém.
O mar é longo, mas some no horizonte.
A estrela brilha, mas se apaga no azul.
A saudade é infinita,
Não cabe num verso.

 

NEBLINA

Lenise Marques

Denso amanhece o dia
Cerração baixa
Imersos na bruma branca
Nadam aquáticos os prédios.

Na paisagem submersa
Teus olhos tem escamas
E me olham prateados
Quais dois peixes no aquário

Manhã marinha
Deslizam os carros nas ruas
Lentamente como barcaças

Úmido é o ar
Cheiro de umidade,
Quase gosto de mar!

 

À ESPERA

Ricardo Carvalho

Sinto falta de ti...
mesmo não lhe conhecendo.
Em te procurar - insisto.
Esmagado pela solidão.
Insisto.
Atormentado pela falta,
não desisto.
Vivo assim, sem ti, sem sentido
Sentindo falta. Da falta, que me mantive.
Não sendo nada. Um nada,
do vazio que você me causa.
Saudades tua, amor que nunca tive
Sem ti, sinto-me n'água,
em um mar que não tem fim.
Sou um náufrago em mim mesmo:
isolado por sua falta;
afogado pelo sentir;
Saudades, esta palavra...
a única que me cala,
por que não sei:
viver, senti...

 

BAR NIENTE

Paulo Martins Magalhães

Não há tempo de pensar
Um poema ou uma encíclica?
Sei lá, quero falar
De educação moral e química
Das mazelas que só vejo
Pelo Jornal Nacional
Haverá melhor ensejo
Que o prazer da descoberta?
Um Colombo tropical
Sempre em estado de alerta
Tipo assim um paladino
Que ao ouvir tocar um hino
Peça um drink pro garçon
Pode ser piña colada
E, com a garganta bem gelada,
Dircursar em alemão
Sem jamais sair do Tom
O Jobim, esse sim! Cabra bom.
Bom de bossa e enxadrista
Fazia chover no tabuleiro
Da baiana, que onde anda?
Só perguntando a Caymmi
Que em sua esteira de vime
Declarou a independência:
É doce morrer no mar.


O SONO DA DOR

Gilberto Maha

Venha
pisando bem devagar
nos sentimentos meus
Venha
trazendo meus sorrisos
que se transformaram em breus
Venha
mas respeitando
meu passado de dor
Venha
me devolver a felicidade
e todo o meu amor

nem sei se posso
caminhar em paz

nem sei se existem
em mim, alegrias mais

estou contaminado
pela desilusão

nem sei se posso
expor meu coração
Fui
feliz um dia
te garanto sim
Fui
espelho de um sorriso
que se refletia em mim
Fui
sincero e amante
de um bem querer
Fui
também errante
tenho que reconhecer
Fui
também bem moço
e agora a envelhecer

Hoje
em meu jardim
já não existem flores
Hoje
faço dormir
todas as minhas dores
Hoje
traga-me carinho
que é para eu sentir
Hoje
quando chegares
pisas bem devagar
que é pra não acordar
A dor que eu fiz dormir


***


PESQUISA: O QUE VOCÊ ESTÁ LENDO?

Fernanda Araújo
14.01.07
Eu estou lendo "A Montanha Mágiaca" de Thomas Mann. Foi escrita no período seguinte a Primeira Guerra Mundial e narra fatos de uma Europa enferma.Os fatos acontecem num sanatório na aldeia suíça de Berghof. Eu ainda estou no topo da montanha mas estou apaixonada pela forma que o autor descreve cada personagem e exprime a sua consciência humanística. É preciso dispor de tempo, mas vale muito a pena. 
 
Rosana 
15.01.07
Traçando Paris
Luis Fernando Verissimo e Joaquim da Fonseca 
 
Roger  
16.01.07
MUSASHI
EIJI YOSHIKAWA
Este grande romance épico japonês do século XX, com cerca de 120 milhões de exemplares vendidos em suas diversas edições, além de inúmeras versões para cinema e televisão é a história de Miyamoto Musashi, na vida real o grande samurai do Japão da época dos xoguns. De garoto selvagem e sanguinário, transforma-se aos poucos em guerreiro equilibrado, um espírito evoluído, capaz de entender e amar tanto a esgrima quanto as artes, tornando-se o maior e mais sábio dos samurais. A obra tornou-se livro de cabeceira e guia da arte de viver para gerações de japoneses e seus principais personagens passaram a integrar o cotidiano. O volume I contém os livros 'A terra', 'A água', 'O fogo', 'O vento' (1ª parte). O volume II contém os livros 'O vento' (2ª parte), 'O céu', 'As duas forças' e 'A harmonia final'.
Em breve a minha opinião... por enquanto, estou adorando ! 
 
Nelio Coelho  
20.01.07
Acabei "O mundo é plano".
Agora estou lendo "D. João VI no Brasil" de Oliveira Lima.
Trata do período entre 1808 a 1825 e o império no Brasil. 
 
Vera Lilian Batista
21.01.07
Estou lendo...
Uma nova história do tempo e Jesus, o maior psicólogo que já existiu...ótimos os dois. Beijos! 
 
Fernando Machado
22.01.07
Estou lendo...
A Arte da Felicidade - Dalai Lama

David Estanislau
24.01.07
Estou lendo atualmente " O proccesso " e " A metamorfose " (seguida de O Veredicto). Ambos de Franz Kafka... Excelentes, faz qualquer um entrar em estados de devaneios e assombros...

Carol Ortiz
24.01.07
Putz David, você está lendo duas grandes obras!!! Você já leu "Um artista da fome" de Kafka também??? É outra excelente obra!!!
Atualmente estou lendo Crítica a Razão Criminosa, expressa as idéias de Kant em Critica da razao pura mas mostra a mente de um serial killer. Bem interessante.
 
Ângela Maria Duarte
24.01.07
Estou lendo
"O Monge e o Executivo - Uma História Sobre a Essência da Liderança"
James C.Hunter
 
Nelio Coelho
07.02.07
Li "Sete homens e o império que eles construiram" de Richard S. Tedlow.
Fala da vida de Andrew Carneggie (O rei do aço americano), George Eastman (fundador da Kodak), Sam Walton (Wal Mart), Robert Noyce (Intel), Henry Ford (Ford Motors)......É muito inteligente!

Vera Libório
07.02.07
Estou lendo "Copo de Cólera"-Raduan Nassar-Livro fantástico.O livro anterior que li foi "Os Sertões" de Euclydes da Cunha. Lá o autor usa uma linguagem às vezes técnica, mas poetizada. Ele era um intelectual de grande variedade de conhecimentos, e nesta primeira parte do livro descreve o mundo físico da região de Canudos. 

Antonio Carlos Rocha
10.02.07
"A Epopéia do Pensamento Ocidental", de Richard Tarmas, Bertand Brasil. O pensamento dos grandes filósofos ocidentais analisado dentro de suas épocas, confrontados, a influência histórica na cultura do Ocidente. Imperdível por quem gosta de filosofia e da cultura humana. 

***

CRÔNICA

Entre desencantos e compromissos: quantos a menos?

Em uma escola rural chinesa, uma menina de treze anos substitui o professor licenciado. A situação da escola é precária por falta de investimento e a relação entre aluno e professor na “escola-casa” acontece em tempo integral, pois eles dormem na escola. Wei, a menina, tem que evitar a evasão escolar, um grave problema no país. Quando um aluno deixa a escola, a menina-professora faz de tudo para trazê-lo de volta.

Wei é despreparada e não tem controle sobre a aula e o comportamento dos alunos. Seu interesse é cumprir o serviço e garantir o pagamento, por isso as aulas são horríveis. A relação entre eles sofre transformações quando se interessam em resolver o problema da ausência do aluno. Querendo conseguir dinheiro para a viagem de Wei à cidade, o grupo faz cálculos das horas trabalhadas em uma olaria. As aulas se tornam significativas. Assim conta o filme “Nenhum a menos”, do chinês Zhang Yimou.

Não precisamos analisar o cinema oriental. Não precisamos usar apenas um giz por dia, como acontece na escola do filme, e ninguém passa a noite na escola, embora muitos responsáveis demorem a buscar algumas crianças menores. Mas podemos refletir sobre algumas questões que o filme aborda, como o papel do educador nas instituições de ensino e a influência que a questão social tem na Educação.

Sabemos que o conhecimento só adquire significado se vinculado à realidade. Estudamos as teorias da educação construídas ao longo de décadas e concluímos que os conteúdos assumem diferentes orientações dependendo da época. A organização do trabalho escolar ainda mantém um processo de ensino centrado na transmissão-assimilação, o que leva o professor à preocupação em apenas passar o “conteúdo” e o aluno ao cumprimento de tarefas. O conhecimento transmitido é totalmente desvinculado dos problemas impostos pela prática social.

No filme, os alunos só mudam de comportamento quando são desafiados a resolver uma ação prática, um problema real. Esse é um dos elementos de uma educação transformadora e muito sonhada. Por isso há anos existem também as teorias que dão ênfase à (re)descoberta do conhecimento a partir da atividade do aluno.

A educação transformadora cria vínculos entre aluno e professor. É humanizadora, mas não tem receita pronta. Só cuidava bem daquela escola quem via nela sua própria casa, como é o exemplo da aluna que ficou triste com os gizes desperdiçados durante uma discussão. A professora se adaptou e deu valor à escola depois que passou a conviver. Que tipo de vínculo temos com a escola e o alunos? Os alunos gostam da escola como sua própria casa? Será que moveríamos céus e terras para trazê-los de volta?

O que mais importa nessa reflexão é perceber a importância do diálogo professor-aluno para o sucesso no processo ensino-aprendizagem e colocá-lo em prática. Como são as nossas relações na dinâmica da sala de aula? Os responsáveis pelos alunos não valorizam a escola os alunos e responsáveis do filme, mas o que temos feito para que isso mude? Quantos a menos nós temos durante um ano letivo?

Sonhamos com a educação de nenhum a menos” porque ela aborda a Cidadania e a Ética, temas transversais que devem ser incorporados em todo o trabalho educativo e nos encaminham à construção de uma sociedade mais fraterna justa e democrática. Mas o que temos feito para ela? O que você fará esse ano?

Solange Firmino

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DICAS E EVENTOS ORKULTURAIS

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